A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.

Simone Moura e Mendes

MANOEL HERMES DE LIMA



O SILENCIO

 

É noite de contemplação na escuridão e envolto ao silêncio

que a mim traz a meditação pura, me conduz imaginar e ver

ao teu lado, o momento próprio do prazer estampado

dentro de ti  pelo teu silencio distendido ao emergir na vasta

imensidão do universo, que somente o clarão estrelar emitido

presenciado pelo céu repleto de estrelas formadas por constelações

ali, testemunhava nosso sentimento de desejo e aprazimento

enquanto eu, ao tempo em que te acariciava, também olhava

o iluminar no espaço na sua profunda dimensão astral celestial

e, então, de ti ouvia o sussurro calmo, vindo do teu suspiro  

solto, de permitida ressonância em minha face e peito

pressentido, lento e suave tal qual o sereno benfazejo

transformado numa aparente fumaça morna, vinda

 de ti, brotada do teu interior, que em meio à escuridão velada

pela madrugada, mas enluarada se fazia visto, e o chão molhado

já encharcado como se de chuva de inverno fosse, mas, sim,

pela neblina gotejante com cânticos da natureza melodiosa

rodeada de murmúrios sedentos, bem felizes

 caía nas folhas umedecidas, alegre como em festa

  aí se ia descida a despencar branda dos galhos das árvores

que pareciam se mostrar encolhidos de frio e pouco importava

às gotículas que seguiam em água cristalina, espraiadas

 gotejantes no chão, na sua caminhada, sem ruído

nem mesmo do homem a voz grossa era sentida e ouvida

 nem o som dos teus passos meigos, em poucos movimentos,

faziam-se pressentir nessa imensa quietude só nossa

marcada pela ausência de zunido irritante, presenciada

apenas por nós, ali naquele instante de amor, fluente

de encanto que fazia a ti tranquila refletir urgente

e balbuciante em tom baixo, na presente ocasião vivida

com o que vias na beleza resplandecente da vida, pois

no calor que nos envolvia, fitavas a tudo com coerência

até ao mutismo residente, no segredo, no teu silêncio.

 

Salvador, 20 de fevereiro 2014 -22h50m

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EU VI

 

Eu fui e vi de perto

Todo povo em pé

Bisonho, triste de olhos firmes

Aos céus pedindo

Para o tempo fechar e a chuva cair

Assim, na terra molhada

Toda lavoura brotar e ao povo alimentar

II

Eu fui e vi o sofrer da população

No árido sertão

Com a terra em ebulição a expelir labaredas

Do solo áspero e seco

Que nenhum ser humano descalço se atreve a pisar

Quão insuportável temperatura

Causadora de lástima, de fuga em massa, desventura

III

Eu fui e vi crianças famintas

Sem pão, sem comida

De mãos estendidas portando vasilhas
Mostrando vazias
Sem carne, sem farinha nem rapadura ou aipim
Vida triste, ruim
É a morte, é o fim,  a revelação da dor e agonia

Hermes

05/04/2013

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SERTANEJO

Sou cabra forte, sertanejo
Homem do campo, da seca
Sem ver chuvas há meses
Nem o cantar dos pássaros
Fugitivos em revoada
Para distantes lugares
Em busca de alento
Nas matas com alimentos

Sou cabra forte, sertanejo
Não fujo da luta nem da terra
Planto-me firme e fincado nela
Na crença de dias férteis
Pela força das orações e rezas
Nascidas do povo que na fé
Espera o milagre do céu

Sou cabra forte, sertanejo
Sofro, tenho fome, sinto sede
Mas nada me tira o amor
Do berço meu, onde o calor
Humano me faz seguro e vejo
Não me importar qualquer dor
A mais insuportável que seja
Sou cabra forte, sertanejo
27.05.2012
Hermes de Lima
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A Saudade

Contar? Já não sei...!
Quantas e quantas vezes tu,
Porta a dentro invade-me
E, no constante silêncio meu,
Triste e isolado faz-me?
Contemplo os pingos do sereno, e só,
Sinto-me molhado na madrugada...
Gotas das nuvens que se desprendem.
Para não te apossares de mim, luto,
Reluto e reluto, até desfalecer, caio.
Sem forças, vejo,
Em vão, o esforço meu ser!
Abusas de mim e assim vives por quê?
Quanto tempo e até quando me dominarás?
Oh dura saudade, afugenta-te de mim!
Em meu interior faz perpétua,
Constante tua morada eterna
Então, busco de ti, minha fuga, para distante,
Mas que rumo tomar e aonde vou chegar?
Pergunto-me, e insisto... Não sei!
Sempre a minha presença tu percebes,
Numa viagem, num caminho estreito!
Onde estou tu estás. Sinto-te e sofro!
Tento evitar, no coração, a dor forte,
E eu, sem saber se azar ou sorte,
Em doçura, ou num bem, transformo-te,
Como no despertar d' um sonho, admito-te,
Que na vida vem e traz lembranças boas,
Com o desejo de querer que renasça,
A infinita vontade de amar, só amar...
Oh saudade, és o símbolo d' uma existência!
Assim, sei que vivo! Sinto-me todo sensível e
A dor d' antão, no peito, num instante, sarada,
Sou de ti seu eterno refúgio, que em mim,
Agora, o sofrimento dá lugar ao amor, e espraia,
Cá, no pensamento meu, o ser amado que germina,
Pois antes na saudade, enquanto, esvoaçada,
Reinava sim, a doce lembrança de quem amo.
Oh saudade, não morras jamais, peço-te!
Nem tu sabes até quando viverás no ser!
Quiçá, por longo tempo, ou eternamente!
Porque, tu, saudade, é irmã do infinito amor,
E o ser que ama, de ti será sempre escravo,
Pois tu, saudade, é do ser, o alimento,
E nele ilumina o espírito com esperança!
Enfim, tu apressas a busca da felicidade e,
Veloz, conduzes ao encontro, dois amantes.

Manoel Hermes de Lima
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Sou Assim

Não me preocupa se em mim vês
Nos momentos de crises
Só meus erros e defeitos
Sou assim. Vim assim e serei
Vejo-te como és e te aceito
Hoje estou aqui e amanhã?
Se viver, só no outro dia saberei
Vou e volto. Fico aqui, estou ali
Chego e saio feliz por te ver
Quando sorrindo estás. Então
Falo-te de amor, beijo-te e amo
E vem em nós o encanto
Com a paz saída do espírito
Que no espaço de felicidade canta
E vinga, enfim, contente um instante

Manoel Hermes de Lima

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RUGAS

Pouco importa o tempo hoje
E as rugas marcarem teu rosto
Ou teus cabelos embranquecidos,
Sempre nos ombros estendidos.
Guardo de ti o teu doce riso,
De mulher da adolescência saída.
Quando te vi, logo te amei e
Ainda no momento primeiro,
Nasce um grande amor que veio
Rico de felicidade, verdadeiro.
Em ti o meu amor continua preso.
Mil promessas eternas, permanentes,
Feitas como estrelas, firmes no céu,
Que fixam no firmamento o constelado,
Cujo brilho forte, candescente, prossegue,
Despeja em nós, na terra sua luminosidade,
Onde nos mantém uno, bem visível,
Nosso inseparável amor, infinito.
Revela nossos segredos e alegrias,
Juntos compartilhados, em paz, vivos.

Manoel Hermes de Lima

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PÉTALAS

Uma flor só é bela, se inteira
Suas pétalas lhe dão da vida
O encanto e os cânticos
Que fazem o todo
Do seu porto desgarrando-se
Vem à flor a fragilidade mórbida
Quando partida, sente-se fraca e só
Murcha, torna-se morta
A flor só é flor, enquanto flor...
Sem suas pétalas
Flor não resta
A tristeza nasce-lhe, vem a dor...
A pétala caída, que se isola
Doa o momento irrefletido da sorte
À flor, então retalhada chora...
Lamento duro. Uma catástrofe
Se antes, num corpo unido, era forte
Num instante separada, sem rumo...
Ver-se, e sem amparo, averte-se
Mas as pétalas que se unem
Flor bela e viva torna
Espanta o mal, não sofre
Robustece-se no tempo, perdura...
E, uma junto à outra, envelhece
Até que a natureza eterna as leve

Manoel Hermes de Lima

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O MAR E O HOMEM

Vê quanto de teu ato rejeito!
Impinge-me com tuas sujeiras e
Do detrito decomposto que renegas
Devolvo-te em repulsa, sem tréguas
Vou e volto em permanentes rodeios
Do sustento que te dou esqueces!
Sirvo-te com amor e vou... Sempre quero
Todos os dias ser teu fácil alimento
Condição em mim de tua sobrevivência
Dou a ti a riqueza toda, a vida e o alento...
Teu egoísmo não me é surpreendente
Da regra natural, estás a fugir sempre...
Despeja-me de ti, o teu ódio de dentro
Da aprendizagem comezinha, nada tens
Ser rude da natureza, destrutivo tu és
À bondade, o orgulho teu ascende...
Não vês do futuro a dura escalada
À bela natureza, estás a estragar
Em mim, que te permito navegar e
Tenho o encanto que Deus mo deu
Manchas de lama minha doçura
Grito-te sem ver em ti a candura
Cospes em mim, a podridão do mundo...
O que não queres, despeja-me tudo:
Restos fétidos que adoecem juro...
Lixos poluentes e males que levam
Pessoas inocentes e em festas que
Só encontram forças nos passeios
Buscando nas minhas águas o recreio
Em mim, mar gigante, sem fontes...
Que vai, que vem em várias ondas...
Embelezando cidades e todas as praias
Rejeitando tuas sujeiras bisonhas, mas
Tu, de nada disso sentes vergonha

Manoel Hermes de Lima

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O AMOR

O amor é algo inexplicável
Brota não se sabe donde
Vem lento, cresce e se enraíza
No coração, finca-se, eterniza-se
Arrancar-lhe, é doloroso, sofrido
Triste é pensar d’ele afastar-se
Doce ele é e sempre será
Se amargo, deixa de ser amor
O amor quando verdadeiro
Em sua correnteza o bem traz,
Assim..., a paz que reina no ser
Transforma-o. É o milagre...
Sem amor, a vida é vazia, um nada
Um passar lúgubre, rápido, vago
Que não tarda da morte a chegada
No amor o sol brilha mais intenso
E no céu, as estrelas tão infinitas
Reluzem claros incandescentes
Feitores de caminhos mais visíveis
Seguros, sem pedras para tropeçar
O amor é d’ alma o doce alimentar

Manoel Hermes de Lima

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O AMOR

O amor é algo inexplicável
Brota não se sabe donde
Vem lento, cresce e se enraíza
No coração, finca-se, eterniza-se
Arrancar-lhe, é doloroso, sofrido
Triste é pensar d’ele afastar-se
Doce ele é e sempre será
Se amargo, deixa de ser amor
O amor quando verdadeiro
Em sua correnteza o bem traz,
Assim..., a paz que reina no ser
Transforma-o. É o milagre...
Sem amor, a vida é vazia, um nada
Um passar lúgubre, rápido, vago
Que não tarda da morte a chegada
No amor o sol brilha mais intenso
E no céu, as estrelas tão infinitas
Reluzem claros incandescentes
Feitores de caminhos mais visíveis
Seguros, sem pedras para tropeçar
O amor é d’ alma o doce alimentar

Manoel Hermes de Lima

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ESPERANÇA DE VIDA

No meio do deserto seco
Vivo o sol flamejante
E entre a sufocante poeira
Minha pele faz-se crueira
Meus olhos já encobertos
Não vêem dos pássaros o vôo
Na apressada fuga do lugar
No imenso pó que me atordoa
Fico perdido, sem caminho...
A juriti que antes alegre cantava
Agora, com a seca forte, rastejante
No espaço sem ar, emudece-se e
O sertão torna-se triste, encurralada
Ausentes o cantar dos pássaros
Deixa um silêncio na caatinga
Que saudosa esmaece o lugar
Minha esperança de vida
Escapa-me, não fica...
Não sei até quando vai...
Evade-se no espaço vazio
Choca-se nesses meteoritos e
Acuado num canto fico
Sem luz, sem nenhum brilho...
Sofro triste, calado...
Andarilho, de pés descalços
Sem esperança, na cura das feridas
Num velho banco, meu descanso
Sem saber aonde ir, paro...
Não vejo da cidade grande
De misericórdia, o grito...
E não sei se acontecerá um dia!
Indago, indago, só indago...! :
Quando o homem vai chegar...
E toda minha fome acabar?

Manoel Hermes de Lima

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CRIANÇA DE RUA

De olhos tristes e fundos
Sem janela como anteparo
O vento em seu rosto bate
Na aparente magreza farta
Que não se faz como atleta
Mas da visita da morte próxima
Só a pele lhe cobre os ossos
Sem cálcio, já quase desnudos...
Foge-lhe um sorriso nos lábios
Não vê graça no que lhe rodeia
Apenas o retrato da fome
Pavorosa, amarga. Infortúnio...
Faz-lhe sucumbente da fragilidade
Já é um ser cambaleante e
Mesmo muito ainda criança
É um estreante nessa dança...
Rotulado como vítima ofegante
Sem lar, desprovida de esperança...
Atriz no palco da estratificação
Sem aplausos, vive o abandono...
Não pensa, nada vê. Não sofre
Desconhece a dor agonizante
Seu rosto de criança de rua mostra
Do sofrimento as duras marcas
As cicatrizes vivas da insorte
E a incúria da sociedade, a morte

Manoel Hermes de Lima

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AMOR ÚNICO

Amor único
Chamado verdadeiro
Em termos relativos
O primeiro
Nem sempre é
Mas um desses saído
Do acaso, vindo
É certo
De parte do mundo
Poético
Que de amor veste
O coração de tudo
De esperança cria
Na regra da rima
A vida que situa quão
Felicidade e bonança
Com sons e cânticos
De paz eterna
À sua semelhança

Manoel Hermes de Lima

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A MÚSICA

Por falar em música
Vejo nas águas do mar
No vai-e-vem da praia
Nas pedras, as batidas
E das ondas o ruído
Que zoam e fazem
A suavidade e a doçura
D’uma melodia que sai
Em notas compassadas
Românticas e a tudo adorna
Ao espírito e somente puras
Na invasão do espaço
Entoa o dó, ré, mi, fá
E na areia tomada
Vazia, ainda deserta
Com o som saído direto
Minh’alma se encanta
Então, presa nessa candura
Em silêncio, só e só escuta

Manoel Hermes de Lima

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ETERNA FLOR

A flor que descobri quando
Suas pétalas abertas vão
Do seu perfume produzido
Enche de cheiro meu jardim
Eu, revestido na contemplação
Com os encantos da primavera
Admirado, não me canso dela
Sinto no aroma, em cada dia
Do seu âmago exalante surgido
Vindo do seio, de dentro saído
Assim, se faz vê-la e sempre bela

                                 II

A flor que descobri quando
Nas caatingas do sertão
No campo seco, o chão
De suas entranhas se levanta
Nunca visto poeira voante
A pouca água se despindo
Em fuga, lenta se dissipa
É tudo, mas não importa nada
Porque as folhas no verde caule
Reativa meu corpo e alma
Tal a abelha mergulhada
Que retira da flor o doce néctar

                                   III
A flor que descobri quando
Me despertou com o brilho da luz
Ao mundo lindo me conduz
A vida, enfim, reluz
Na natureza a pura doçura
Das suas sementes nascidas
Em mim, brota a fortuna da alegria
Pois, me inspira cortejá-la rainha
E nesse caminho sigo firme
Na crença em Deus que a mim pôs
O encanto meigo e doce da flor
Faz-me cultivá-la como regador
Que me compraz em aguá-la e por
A paz e felicidade os dias todos
Na flor, para ser flor, eterna flor.

Hermes, 08.09.2010
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AMOR ÚNICO


Amor único
Chamado verdadeiro
Em termos relativos
O primeiro
Nem sempre é
Mas um desses saído
Do acaso, vindo
É certo
De parte do mundo
Poético
Que de amor veste
O coração de tudo
De esperança cria
Na regra da rima
A vida que situa quão
Felicidade e bonança
Com sons e cânticos
De paz eterna
À sua semelhança

Manoel Hermes de Lima

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CINELÂNDIA


Na história dorme
A praça já velha
Antes sadia e bela
A tradição na terra
Com brilho opaco
Só famosa a faz
Em cada quadra
Olhos afundados
De brilho amorfo
Com mãos estendidas
Encontradas várias
Meu coração sente
Minh’alma geme
Meus olhos veem
Lágrimas correndo
E em mim também
Descem como rio
Despindo o caminho
Fazendo seu leito
Com tristeza e dor
Estão sempre todos
Os mendigos, pois
Já aí estabelecidos
Famintos, sem abrigo
Da vida, nada certo
Na proteção coberta
Das marquises lhes resta
O aparato da chuva,
Que se vai, e perturba
Eles de volta à praça
Sua sala-de-estar e
Nos bancos, seu descanso
De dormida à tarde, sendo
Do jantar o suprimento
D’ outra ausente esperança
Habitam a “CINELÃNDIA”

Manoel Hermes de Lima