A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.

Simone Moura e Mendes

Juarez Montenegro


Coragem da Inocência


(Para a neta Clarinha, no decurso de seus 4 aninhos)
Chegou como quem não quer nada e, decidida,
pintou o sete e deu-se ao deus-dará...
indiferente, fez-se comovida,
enterneceu-se para não chorar.

E riu quando chorava, pois quem corre alcança.
Sorrir tem pressa!... A lágrima vertida,
quando fastidiosa e ressentida,
corre menos que um riso de criança.

Benza Deus! A inocência é corajosa:
expõe-se transparente e virtuosa,
e muito mais audaz que a dissimulação!...

A coragem inocente faz sentido
um grito equalizado ao pé do ouvido
é um massivo gesto de contestação!
Rio de Janeiro, RJ, 15.02.2013


















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Preocupações


Por que vivemos tão preocupados?
A saúde, a aprendizagem, a sobrevivência e o labor, a mocidade, o entretenimento, a cidadania e o prazer, o aprimoramento, a madureza, a reforma e a velhice, e tantos outros capítulos arranjados ao livro da vida, consubstanciam os inumeráveis motivos a nos darem uma ocupação mental antecipatória, que pode tender para a cronificação. Ela se exacerba com a vertiginosa celeridade da existência.
O salutar seria ocuparmo-nos em tempo hábil, sem os prévios desgastes que tanto nos extenuam. Itens capitulares, positivos e valiosos, amoldar-se-iam, bem como aqueles mantidos pela indispensabilidade. A energia, seja ela qual for, se não preservada, deve ser exaurida proveitosamente, ou decomposta com vistas ao necessário aprimoramento. Quando instigados pelas preocupações que nada produzem, melhor repousar ou nos ocuparmos, nem que seja com o nosso silencioso abandono ou singular desambição.

Rio de Janeiro, RJ, 18.03.2013
Juarez Montenegro
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Denodo


Se queres prevenção contra os perigos,
a vividez do guapo encantamento,
o tempo e o trabalho e o talento
são três leais e intrépidos amigos.

Melhor a sombra, aos tímidos abrigos;
a placidez, ao tolo açodamento...
Tirar da liberdade o sentimento
é o pior de todos os castigos.

Por norma, a parcimônia dos prazeres,
contrastados por ínclitos deveres
defensáveis, portanto, em prosa e verso!...
Amigos outros chegam por achados,
para ocupar os postos consagrados
aos bravos artesãos deste Universo!
Rio de Janeiro, RJ, 03.03.2013

Juarez Montenegro
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Emoções

Surpreendem-nos sorrisos e lagrimas
ante a sutil expressão das emoções. Os olhos, os lábios e a face alegram-se nas aleluias e fascínios, sofrem insuficiências e desânimos, fogem de desencantos e comiserações. Os nossos sentimentos podem advir envoltos em canoras partituras, inebriados pela poesia, acalentados pelo afeto, ou expostos à indiferença da cábula ou da soletude.
Mãos não se enfastiam de acolher, aplaudir ou até de repudiar, se em casos melindrosos.
Esqueçamo-nos do mais, para não falar da ritmicidade do cérebro e do coração.
O charme, o talento e a arte trazem às comoções a jovialidade conciliatória... Apraz-me, sobremodo, à guisa de chave de ouro, a evocação exemplar de Roberto Carlos e André Rieu!

Rio de Janeiro, RJ, 05.04.2013
Juarez Montenegro



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Pátria

Pátria de prontidão!... Paz exaltada!
tão nossa“como o céu é do condor”, tão bela, como noite enluarada
és curso, como a Linha do Equador.
Um Povo auspicioso é tua Armada,
teu Pendão tem um tépido pendor, impões aos vendavais a derrocada ao tom dum Hino augusto e provedor.
Despontas como um facho de esperança
ao Censo das Nações
uma criança
a caminho de sua identidade!...
És, para nós, a Deusa dos Palmares:
uma amazona que desfere aos ares a flecha que alcantila a Liberdade
Teresópolis, RJ, 07.09.2009
Juarez Montenegro
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Sussurros à Solidão


Eu, no mesmismo de mim mesmo, falo, com pensamentos estrepitosos,
penso, com palavras inaudíveis,
e ouço com atenção absorta
os sussurros segredados à solidão!...


Que me dizem as rumorosas sentenças,
as emudecidas elocuções,
quando ensimesmado me atenho
para escutar a taciturna solicitude?

Nada, absolutamente nada!...
Não me quero audiente,
nem aos devaneios...

Imploro-lhes:
Respeitem tal insulamento
para o explícito manifesto
do meu apaixonado coração!
Rio de Janeiro, RJ, 01.12.2012

Juarez Montenegro
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Soneto



Como o compasso exorta um minueto
cadenciando o seu encantamento,
a métrica exorciza-se ao soneto
qual viço ao suspiroso sentimento.







Cada verso acrisola o poemeto,
como um breve conceito, o pensamento;
tem seus arcanos, como um amuleto
quando a mercê de escuso mandamento.

Mantenedoras quadras de obras primas,
para consagração de suas rimas
emparelham-se assim... quais mãos à palma.

Os tercetos, concisos e abrangentes,
abrigam corações, instigam mentes,
inspiram-se à poética da alma.
Rio de Janeiro, RJ, 12.12.2012

Juarez Montenegro
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Cartão-postal


Agora que, felizes, nos achamos,
nesse vale de risos enganosos
e lágrimas eivadas de sentidos,
que não nos afastemos nunca mais,
para a exaustão de afeto imperativo
que, ao lance de um olhar meticuloso,
sobeje-nos vivências de emoções,
de sonhos e carícias e enleios,
de tão lindos, beirando as fantasias,
de tão bons, achegados ao amor.
Esse encontro, por certo, encomendado
pela carência de calor humano,
há de tolher a tosca indiferença
imposta alhures pelos insensatos.
Comunicar-nos-emos com palavras
dissertativas e sentimentais,
assimilando anelos e distâncias
num contato amoroso e diuturno
inerente aos legítimos casais.
Contendo os texto breves intensões,
serão as senhas mais utilizadas
pela concórdia, afeita ao corações!...
Praia Seca, 08.01.2013

Juarez Montenegro
Amor cigano

Queria merecer-te, amor cigano,
mas não me esperas... vais sofregamente,
deixando-me o devir por desengano,
tão longe do passado e do presente...


Vê o que não faria em cada engano,
se muitos foram feitos tão somente
pra ter-te em meu vagar cotidiano,
e juntos deslindarmos o poente...


E raiariam dias e mais dias,
sombrejariam noites e mais noites,
esplenderiam luas e mais luas...


E tudo o que fascina emprestarias
a mim, pois dei-te em sonhos meus pernoites,
velando-te ao balouço das faluas!...


Praia Seca, RJ, 03.10.07
Juarez Montenegro









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Lira errante
Neste soneto ao pequenino porte,
um continente para o mundo inteiro,

as referências para qualquer norte,
inspirações dum tolo aventureiro.
Nas emoções veladas pela sorte,
num sentimento ingente e lisonjeiro,
este quarteto ao pequenino porte
abriga a terra, incluso o estrangeiro.
Como ao som que se infiltra na distância,
cabe aqui uma brenha de fragrância,
a nesga imensa duma cambiante...
Neste terceto de minguados versos,
diminuta amplidão aos universos,
esta miragem duma lira errante!
Rio de Janeiro, RJ, 18.03.2012
Juarez Montenegro
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A Porteira

Ergueu-se uma porteira à luz dos benfeitores Maria e São José, São Pedro e São João,
num dia reservado aos próprios moradores,
às coisas da Fazenda e a nós do Casarão.

Aos santos consagrou-se a festa. Os cantadores,
convivas e jograis, em longa procissão,
cantando petições e graças e louvores,
chegaram ao local da inauguração...

Destaca-se a possante e rústica porteira,
talhada com capricho em toras de madeira,
paisagem para o clã, autêntico painel...

Acesso do rebanho e a tanta serventia,
a pródiga cancela em noite de folia
era pra meninada um franco carrossel!...
Teresópolis, RJ, 25.02.2012
Juarez Montenegro
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Ebriedade poética









Sou um poeta amante, e me embriago
com o olor do enleio e da nobreza,
que me fazem querer uma princesa,
inebriar-me em rescendente afago!
Lá no palácio, em azulino lago,
vou-me banhar com sua realeza,
sorvendo um devaneio, enquanto vago
sobre o espírito etílico e a beleza.
Penso nos “cisnes de alvacentas plumas”,
num mar fremente” envolto por espumas,
penso em você sem cetro e sem coroa...
Uma turnê inibe os meus sentidos...
descerebrado, aguço os meus ouvidos...
Fale-me, bem, e não me deixe à toa!...
Teresópolis, RJ, 27.04.2012
Juarez Montenegro

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Sentimentos colidentes

"Apaixonei-me por você, querida!..."
Como a paixão é um encantamento,
vivenciando um mesmo sofrimento
desencantei-me em cada despedida.


Fosse de amor o nosso envolvimento,
teria a existência embevecida
pela constância desse sentimento
que torna sempiterna a própria vida.

Paixão – deslumbramento insidioso
que surge como um pique afetuoso
e some quando a sorte se exaspera...

Amor – é uma bem-aventurança
que nasce pela crença na esperança
e vive pela fé que sempre espera!

Rio de Janeiro, RJ, 04.04.2012
Juarez Montenegro
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Felícia

Caminhei ao encalço de aventuras,
indo longe, pra bandas do infinito,
como um débil mental, tolo proscrito
da sanidade e suas conjunturas.

Aventureiro incrédulo e aflito,
escalei as inóspitas alturas...
Para infligir possíveis desventuras,
mudou-me o rumo um temporal maldito...

Levou-me em busca da felicidade,
até na pequenez dum escaninho
onde campeia infinda soledade...

Fui encontrá-la em pequenino ninho,
entediada como um passarinho
que gorjeia os entojos da saudade!...
Rio de Janeiro, RJ, 25.09.2011

Juarez Montenegro
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Meus quinze anos













Depois dos "Meus oito anos",
inspirados, plagiáveis,
vieram tempos saudáveis,
impulsivos, passionais...
Para cantá-los, os moldes
busquei nas antologias –
não se encontram poesias
nas manchetes dos jornais.
Oh! minha paixão primeira
dos anos adolescentes,
das cismas maledicentes,
dos enredos sensuais!

Quanta ilusão sazonada
em sonhos fantasiosos,
entre suspiros gozosos
e remanescentes ais!

Como um dia atrás do outro
as manhãs eram fagueiras,
mas, as donzelas brejeiras
punham-me as mãos pelos pés ...

Entretanto, a namorada,
entre todas a mais bela,
fez-se a minha cinderela,
fiz-me um rei, longe das rés!...

Às tardes vinha o poente
aurirrubro e flamejante.
Sendo eu um aspirante,
por certo que levaria
minha deusa ensimesmada
para um passeio ao relento,
visando um consentimento
que a musa me negaria.

As noites pasmas de sono...
Oh! se fossem cuviteiras
como aquelas cachoeiras
alterosas, espumantes!...

Fossem elas consumidas
por insônias complacentes
quais cascatas nas vertentes
que seduzem seus amantes!

Oh! sonhos primaveris
tendentes aos devaneios!
Oh! tempos de veraneios
ou melindres outonais!

Uma vida esperançada...
a casa atenta aos invernos...
tudo aos cuidados paternos
e às afeições maternais!

Veio a saudade à distância,
encontrar-me nos enleios,
aos queixumes dos anseios,
aos ciúmes incontidos,
até que a vida sem volta
rendeu-se à volta sem vida,
quando a fleuma deu guarida
a tais encantos vividos!

Oh! minha paixão primeira
dos anos adolescentes,
das cismas maledicentes,
dos enredos sensuais!

Quanta ilusão sazonada
em sonhos fantasiosos,
entre suspiros gozosos
e remanescentes ais!

Teresópolis, RJ, 26.02.2012

Juarez Montenegro

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Fraternismo Universal

Estamos de vigília! É tradição
à passagem do ano envelhecido,
que, saudoso, tristonho, emudecido,
anseia por custosa rendição!

O céu da meia-noite dar sentido
ao fim da derradeira rotação;
um novo marco enceta a translação
dum fado em esperanças convertido.

São comoções humanas, comoções
rebuscadas de sonhos e ilusões,
por vezes refratárias às conquistas!...

Só os esforços passificadores,
em mãos de denodados provedores,
far-nos-ão irmanados autruístas!

Teresópolis, RJ, 31.12.2011
Juarez Montenegro
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Relicário

Aqui morei quando criança... A vida
me parecia um canto eternizado
pela inocência, longe do pecado,
da dor duma impossível despedida.

Volto, agora, ao acervo do passado,
cuja memória angelical, vivida
com meus entes queridos, repartida
entre tantos herdeiros, faz-me ousado!...

Ouso rever a casa, o leito, a mesa,
o chão da minha antiga fortaleza,
tudo que fora um dia infindo, eterno...

Doce ilusão me traz ao santuário –
um sonho em reaver um relicário,
aqui, onde deixei o lar paterno!

Maceió, AL, 19.12.2011

Juarez Montenegro
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Natal

Vem o Natal ou berço afortunado,
suas canções e prendas e louvores,
na contrição dos mélicos amores,
no badalar dum sino esperançado.

Também nos chega em tons inovadores
do modernismo mais sofisticado,
como se fora aquele do passado,
veneração de antigos precursores.

Vem o Natal à nossa cristandade,
para enlevar a própria humanidade,
de modo que resulte mais humana...

Nasce Jesus, de mãe encantadora,
nas dependências duma manjedoura,
perto dum asno e longe de Sant’Ana!
Rio de Janeiro, RJ, 25.12.2011

Juarez Montenegro
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Cabelos



Cabelos negros, loiros ou castanhos,

aureolando o porte duma fada...

às vezes ruivos, foscos e tacanhos

qual capoeira escassa na invernada.


Cabelos alvos, crespos, enfadonhos,

quando a brancura atiça a meninada

ao desbotar da vida, como os sonhos

de amor que desvanecem na alvorada...


E foi-se a moda aos longos, entrançados,

dando lugar aos curtos, eriçados,

na concorrência ao farto pixaim...


São fios teus tingidos pelo escuro

esses que tomo ao breu, se te procuro

nessa ilusão de estares junto a mim!


Rio de Janeiro, RJ, 21.08.07

Juarez Montenegro     

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Imponderabilidade

  

Carrego uma coisa pesada, que me consome;

é mais que peso de consciência:

aperta-me o peito como uma mão que se fecha;

toma-me o tórax, qual coração hipertrófico;

impede-me de andar, como uma força centrípeta;

ocupa-me os sentidos, qual tragédia calamitosa;

invade-me a mente, como relâmpagos trovejantes;

inspira sentimentos, como o império do amor...



É o imenso desejo de levitar,

que tem por contrapeso o apego a esta vida,

e por destinação a escalada à imortalidade,

e por objetivo

o convívio com Deus e seus santos!



E esse peso vai além do meu conhecimento,

ultrapassa a minha vontade,

sobrepuja as carências instintivo-afetivas,

esvazia-me o eu...

distancia-se de tal modo do centro da natureza

que se torna imponderável,

condição para levitar às alturas incorpóreas

e às Altezas de minh’alma!



Rio de Janeiro, RJ, 26.10.2011

Juarez Montenegro

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Sensibilidade

És sensível por teus acurados sentimentos
e tuas afinadas sensações,
e o modo tão peculiar como os experimentas...
Venha a mim a tua sensibilidade –
és fervorosa nesse viés que tanto nos aproxima;
e venha a nós o teu discernimento –
és cuidadosa e perceptiva,
mas sempre suscetível e afável.
O empenho em compreender-te
exige-me uma inclinação poética e intuitiva:
não vejo pirraça entre tua sentimentalidade
e o raciocínio inovador –
tens uma essência sutil e extremosa que dá pujança a um equilíbrio intelectivo e anímico;
valorizas as informações dos teus sentidos,
o concurso de teus sentimentos e emoções
na instrumentação do intelecto.
Teus beijos e abraços são cumulados
por um afeto caloroso e salutar.
Por isso essa minha afortunada benquerença!
Rio de Janeiro, RJ, 15.10.2011
Juarez Montenegro

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Saudade imortal

Não se mata a saudade,
se sacia com os cuidados da fidelidade,
os argumentos da maturidade,
a batuta sem par da maestria!
Num reencontro com a soledade,
na revivência duma nostalgia,
ao remexer o álbum da estesia
lá nos vem a carência da saudade!...

E que saudade é essa que carece
de tantas coisas, para quem padece
duma desesperança desmedida?
O sentimento enorme que me enlaça
roga um aceno a quem lasciva passa,
e até me mata por não tê-la em vida!
 Maceió, AL, 10.11.2011
Juarez Montenegro
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Maximiliano Kolbe


Não tenho uma esperança de viver sofrendo,

não me deseja aqui a dúbia potestade;

para que possa ter um outro irmão vivendo,

darei a minha vida, ó Santa Majestade!


Que não me vejam mais e nunca mais bebendo,

que não me martirize o vento, a tempestade...  

não quero o desjejum e nem morrer comendo,

um canto de alegria expresse-me a saudade!


No Campus sou um traste, um pobre desvalido

que vive por milagre ou pena sem sentido...

um mísero pastor que não influi em nada...


Viveu para fruir dum breve sacrifício,

se comparado ao seu angelical suplício,

um reles cavaleiro, ó Virgem Imaculada!


Miguel Pereira, RJ, 21.08.2011

Juarez Montenegro

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Prejulgamentos

Elegantemente vestida, maquiada a bom gosto e com um bonito penteado, a provecta solitária, morando em

São Lourenço, lá me foi apresentada e falou:


– “Fui a Rezende e senti frio;

fui a Barra Mansa e tremi... então voltei...

Hoje me agasalho por cautela.

Emperiquitei-me para curtir... encontrar as amigas no almoço de confraternização... papear...

Quando recebo em visita meus familiares (filhos e netos) deixo-os à vontade, até para saírem à noite, quando nunca saio...

Tenho esta cidade como mãe adotiva.

Aqui me sinto tão bem que nem saudade experimento; vivo minha vidinha a meu jeito; todavia, incomodam-me, um pouco, suas quedas de temperatura... e a frieza de seu povo... Como remédio, basta-me o meu ansiolítico noturno... não gosto de médicos.

Muito prazer e boa estadia... Tchau.”


Pareceu-me educada, saudável, sobranceira, segura, pouco afetuosa... Não consegui evitar prejulgamentos.

Fê-la assim, algo indiferente, inúmeros elementos,

legados ou confluídos, desde o passado e pra sempre.


São Lourenço, MG, 06.08.2011         

Juarez Montenegro
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Meus versos

Versos não me encomendem!... Não os faço
ao sabor dos clamores da ciência:
se perseguidos, migram para o espaço;
se convocados, fogem da premência.

Não os doma a vontade... Sem regaço,
os afetos soluçam de carência,
a razão esmaece de cansaço,
a linguagem não flui da inteligência.

Eis quando, resgatado penitente
de fúteis interesses, me refarto
na sintonia cósmica da mente,

quais imigrantes doutros universos,
em doloridos ais, como os de parto,
nascem ninhadas de canoros versos.

Rio de Janeiro, RJ, 13.05.1996
Juarez Montenegro
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Nas asas da fantasia

Queres ser um astronauta

em demanda da saudade?

Uma nave encantadora,

partindo da soledade,

com seu farol flamejante

e radar extasiante,

levar-nos-á tão distante...

para além da liberdade.


Ou preferes um bordejo

nas asas dum planador,

como inventivo turista

à caça dum grande amor?

Podemos ser confundidos

com marginas atrevidos,

em além-mar perseguidos

por cargas d’alto valor!

Não te gabo a preferência

se pegas um teco-teco

em busca de lenitivo

num lugarejo sem eco.

Mas, se lá fica a morada

duma esbelta namorada

loucamente apaixonada,

volta e seja o seu xaveco!


Voemos mais para longe,

num avião de carreira,

para a vida enfeitiçada

como uma dama fagueira

que não queima mas aquece,

sombreia quando anoitece,

aclara quando amanhece,

tapa o sol com a peneira...

Voemos para mais perto,

num ultraleve eriçado,

procedente dum mirante

acima do Corcovado,

para encantar as dondocas

que, nas praias cariocas,

pululam como pipocas

em pipolico aquentado!


Estivemos voejando

nas asas da fantasia,

a uma altura ajustada

aos limites da estesia,

contemplando o universo

que se apequena, disperso

nas entre letras dum verso

que embevece a poesia.
Rio de Janeiro, RJ, 18.08.2011

Juarez Montenegro

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Protótipos

Não os encontra aqui, no lar paterno,

um merencório e desolado ausente,

e nem lhes traz um neto... ou um parente,

como penhor do zelo sempiterno.


Ficou-lhe um bem explícito e eterno:

a memória exemplar e comovente

de seu pai, amorável, previdente,

da mamãe engastada ao dom fraterno.


Jamais subestimei o seu exemplo,

ó pai, que na saudade lhe contemplo

imperativo, incólume, seleto!...


Bem que me apercebi... prouvera ousar!...

ó mãe, esse seu senso de operar

tão insistente e compassivo afeto!...


Rio de Janeiro, RJ, 14.08.2011

Juarez Montenegro

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“Saúde!... o resto não tem pressa!”



Teria eu uns cinco aninhos, mamãe uns vinte e cinco...

o casal de manos mais velhos, no primário da escolinha.

Éramos três até então, depois chegamos aos nove filhos,

além dos sete enteados.

Cuidava ela, ao um tempo, da casa, da família, do armazém,

das costuras, e de me ocupar no A, E, I, O, U ...

Papai era o Prefeito da Cidade.

Distraído entre o brinquedo e a leitura,

errava duas para acerta uma vogal, até irritá-la...

– Vou contar ao seu pai, disse-me ela...

No dia seguinte mandaram-me à escolinha...

Não prestou... caí em prantos!... interrompi o aprendizado dos outros... fui mandado de volta, nem sei por quanto tempo!...

Antes tivesse aprendido por conta própria,

como minha jovem mamãe...

que se tornou uma sábia por autodidatismo,

e conseguia fazer muitas coisas ao mesmo tempo!...

“Saúde!... o resto não tem pressa!”


Rio de Janeiro, RJ, 13.08.2011

Juarez Montenegro

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Recusa



Não! Não me peças!... Por favor, não queiras

me excluir das tarefas e caminhos;

é negar amplidão aos passarinhos,

ou frescor às altivas cordilheiras!


A vastitude esconde-se nos ninhos,

são frígidas as pérfidas lareiras;

é bom não se perder as estribeiras

trocando soluções por descaminhos.


Posso dar-me às sensatas alegrias,

correndo de caprichos e porfias,

quando cuido de tácitos amores.


Se me rogas tardanças às jornadas,

ou fugas por temor, às madrugadas,

não me culpo em negar-lhes desfavores!


Rio de Janeiro, 07.07.2011

Juarez Montenegro
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Fazenda Lajedo Novo


(Ao inesquecível Plácido)


Lá vem Plácido!... cálida figura,

um normolíneo bem afeiçoado,

talvez metro e setenta de estatura

e uns oitenta quilos no costado.


Moreno, maneiroso... Mensageiro

trazendo novidade?... ou solitário

em busca de parceira?... ou forasteiro

atrás dum ambiente solidário?


Conversou com meu pai cinco minutos...

mostrou-lhe os dentes limpos, conservados,

o tronco, o dorso, os membros resolutos,

da maleta os molambos engomados.


– E sua idade? – Trinta e um bocado...

– E referência? – Sou trabalhador.

– E competência? – Alfabetizado.

– E probidade? – Vai para onde eu for!


Tornou-se o capataz! – Eis a fazenda,

com trinta e seis quilômetros quadrados,

cinqüenta e dois casebres, uma venda,

muitas rezes, fruteiras e roçados:


a sede com varandas condizentes

e uma arquitetura planejada

pra nove ‘crioncinhas complacentes’,

os patrões, mais a serva ensimesmada;


na construção ao lado, destinada

à escola, ao albergue, ao armazém,

o novo capataz usa a pousada

e a transforma em ‘terra de ninguém’;


ao fundo, um bem nutrido galinheiro

circundado por férteis milharais;

e, mais além, um pródigo celeiro,

um vergel reflorido e muito mais!...

os nossos potros, o corcel Formoso,

de meu pai predileta montaria,

o burro nomeado por Gostoso,

e Rampe, cão mimoso que sorria.


Tanto trabalho a tanta serventia...

tarefas “pra ninguém botar defeito”...

pois, tão cedinho, ao raiar do dia,

rumava para ordenha ou para o eito.


Às manhãs, o rebanho socorria;

às tardes, ao terreno se apurava;

um pouquinho das noites à folia;

às dez sumia, quando se enlevava.


Era o vaqueiro que tangia o gado,

o jardineiro que velava as flores,

um companheiro por demais amado

e que chorava pelas nossas dores.


Nunca falou de si ou dum parente,

uma queixa sequer não lastimava;

seu sobrenome não contou pra gente,

mas seu desvelo nos aquietava.


Lajedo Novo era conhecida

por suas lousas, pelo seu lajeiro,

uma lagoa rasa, adormecida,

uma turminha insana e seu caseiro.


Nossa fazenda tinha seus encantos

pros nossos tenros olhos joviais;

para os adultos, lutas e quebrantos,

suas canseiras e sofridos ais!...


Numa manhã de triste comoção,

tempos depois, o bravo capataz

deu um sumiço sem explicação,

mas a valise lhe ficara atrás!...


A um amigo tinha confessado

que morreria numa despedida;

seu coração pungia, desolado!...

Por isso foi-se, preservando a vida.


Não se compraz tamanha lealdade

com os soluços, quando aos prantos vêm,

mas, sim, nas odisséias da saudade,

que só serenam quando nos convêm!


Um dia ouvimos do Senhor Tomás

que, lá na feira de Caruaru,

teria visto o nosso capataz,

esposa e filho e sogra e Seu Daru.


Mais algum tempo, e veio a Grande Guerra,

conflagração pirada e mundial,

feita por filhos do Planeta Terra,

que é pai e berço e mito maternal.


Mudou-se a saga em sina convertida,

mudou de dono o solo decantado,

mudou-se a até a nossa própria vida,

tudo mudou pra além do conflagrado...


Há pouco estive em meu Lajedo Novo,

esquartejado como Tiradentes,

sem a pousada, sem aquele povo...

Cadê os ritos dos diletos entes?!...


meu pai montando o seu cavalo preto,

mamãe cerzindo um enxoval infindo,

as manas ensaiando um tal sexteto...

eu, os irmãos e serviçais curtindo...


pós o canto, a roda, o bacondê,

a bola, os moradores na armadilha,

o cavalo de pau, o bambolê...

um mote e, de improviso, uma sextilha.


Ao bom entendedor fui enfadonho,

às outras testemunhas contempladas

só discorri sobre um suposto sonho,

esquecendo as memórias implicadas.


A placidez é coisa do passado;

a aridez, fantasma do presente;

tudo que pincelei foi desbotado,

mas a lembrança esculturou pra gente.


E quem entende de Lajedo Novo

sem as raízes do meu Quebrangulo?

Suas entranhas abissais removo,

buscando a queda do primeiro pulo!...



Quem sabe, seja a escavação renhida,

fomentadora de insondáveis dores,

uma demanda ingente duma vida

ao relicário de imortais amores!



Rio de Janeiro, 14.05.2003

Juarez Montenegro
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Estimativas

Passamos toda vida sendo avaliados

por uma multidão de seres enganosos...

em nos oferecendo enganos engenhosos,

sonegam dileção aos dotes emprestados.


Esquecem que nascemos impares, prendados

de graças e pendores, dons auspiciosos

que moldam nossa crença e fazem-nos ciosos

dos nossos pessoais e ínsitos cuidados.


Aí a mansidão supera a dominância,

o tempo a lucidez, o cosmo o infinito...

o cérebro não mede insólita distância.


Eis que surpreendemos tolos em conflito,

somenos serviçais aquém da militância,

quando ultrapassam muito um código proscrito!



São Lourenço, MG, 07.08.2011

Juarez Montenegro
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Vínculos da Terra mãe



A Procela, descendo a serrania,

aflui ao vasto pélago espraiado,

aterra-se e, zelosa, silencia.

Resmunga o Mar, austero, encapelado:


– “Minha amplidão é pura demasia,

antes viver assim, aterrissado,

que vagar em dispersa fantasia,

qual flamejante páramo estrelado!”


Replica a Terra mãe: – “Mares me escondem;

ilhas e continentes correspondem

aos traços que afeiçoam minha face!”


E o Céu, surpreendendo a cordilheira:

– “Ouviste minha noiva e gondoleira,

o Domo se engalana para o enlace!”

Praia Seca, RJ, 17.07.2011

Juarez Montenegro
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Pátria

Pátria de prontidão... Paz exaltada!
tão nossa “como o céu é do condor”.
És bela como os pôsteres da amada,
és curso como a Linha do Equador.

Um Povo auspicioso é tua Armada
e honras um intrépido Pendor,
impões aos vendavais a derrocada
ao som dum Hino augusto, encantador.

Despontas como um facho de esperança
ao Censo das Nações, uma criança
a caminho de sua identidade...

És, para nós, a Deusa dos Palmares:
uma amazona que desfere aos ares
a flecha que alcantila a Liberdade!

Teresópolis, RJ, 07.09.2009
Juarez Montenegro
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Sonata

Corri tantas terras...
mirei tanta gente...
A vida se move,
avança, comove,
esvai-se ao presente.

É linda a natura
no mundo espraiada:
os seres viventes,
as coisas suplentes,
“seu tudo e meu nada”.

É doce a sonata
das águas correntes:
acordes diversos –
soluços imersos
ou cantos fluentes.

É terno o afago
de mãos peregrinas:
apontam caminhos...
se juntam, quais ninhos,
pras sortes, pras sinas.

É fundo o abismo
de olhares distantes:
de tão afastados
se perdem, coitados!...
dos nossos semblantes.

Corri tantas terras...
mirei tanta gente...
Saudade me cala:
é muda – não fala;
é casta – não mente!

Lisboa, PT, 30.06.1996
Juarez Montenegro
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Confidência inconfessa

Aquilo que escondi do confessionário,
por zelo e comoção, decoro e timidez,
em letras garrafais grafei no meu diário,
que a sete chaves guardo ileso à cupidez!...

Amigo da prudência, audaz visionário,
achei por bem ousar tamanha sensatez:
nem a bisbilhotice intenta o relicário
onde ocultei pra sempre ‘enleio e languidez’.

Proezas decantei ao longo duma vida,
astúcias preferi à lide conflagrada,
vanglórias desvendei à crédula torcida...

Mas essa confissão impõe-me um revertério:
jamais revelaria a coisa mais sagrada...
juramos resguardar tão íntimo mistério!...

Rio de Janeiro, RJ, 25.07.2011
Juarez Montenegro
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Aracruz

Passei um fim de semana
nas plagas de Aracruz,
bebi garapa de cana,
comi faustoso cuscuz.

Acolhido com lisura,
arrumei os meus pertences;
retribuí a finura
como bons quebrangulenses.

Descansei, dormindo cedo,
despertando por mania,
fui ao rancho para enredo
de quem come noite e dia.

Nas tardes só dormitava
depois de pequenas rondas,
das praias só me afastava
com a ressaca das ondas.

Nas noites, beleza pura,
novelas e carteados;
ao charme, desenvoltura,
aplausos enamorados.

Do convívio insidioso
não curtia quase nada;
ele fluía fogoso
ao forró da madrugada.

Desse balé eu fugia
pro conforto da suíte,
dispensando uma folia
ou indiscreto convite.

Eram horas inventivas,
reservadas para os sonhos,
uma festa sem convivas
barulhentos, enfadonhos.

Quem sabe, por mais uns tempos
estarei nesse lugar,
para sérios passatempos
e devoções ao luar...

disse em confessionário,
para consolo e perdão
dum incrédulo vigário
que exige comprovação!

Fosse assim, assim seria
um convite à dormição,
desperdício da energia
que acelera o coração.

Não convém a penitência
depois de dias festivos,
esquecidos da prudência
de libertários cativos.

Os folguedos foram tantos,
e tais entretenimentos,
que de lembrar vem-me prantos
por tão fugazes momentos.

Para falar a verdade,
demoraria alguns meses...
para matar a saudade
voltaria muitas vezes!...

São as vivências mais leves
quando em colônias festivas
de temporadas tão breves
quais fantasias furtivas!...

Aracruz, ES, 20.07.2011
Juarez Montenegro

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O Senhor do Lago

Um torrão pedregoso abeira o Lago
a quem vem do sopé da Samaria...
Vai João ao encalço de Tiago,
vem Jesus elencar a poesia.

Um lençol de água doce nunca pago
ao soberbo fascínio da estesia –
eis o palco estendido para o mago,
personagem de augusta profecia.

Foi ali nesse Mar da Galiléia,
nesse Céu que descamba pra Judéia,
nessa Terra à Belém, de Nazaré,

que surgiu o Caminho, como guia,
a Verdade, ensejada por Maria,
e a Vida, interposta pra José!

Rio de Janeiro, RJ, 02.07.2011
Juarez Montenegro
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Ambivalência

Sinto-me livre como um passarinho,
mas insegura ave desgarrada:
os instintos impelem para o ninho,
os sentimentos vão à passarada.

Intento a liberdade por caminho,
desponta a inclemência como estrada.
Como abrir mão do maternal carinho,
da prevenção paterna, na invernada?

Asas, asas aos céus da ambigüidade:
quando me apego, sinto-me cativo,
se me desprendo, morro de saudade!...

E nesse vôo tímido, rasteiro,
surpreendido pela tempestade,
volto, qual pomba, ao velho cativeiro.

Rio de Janeiro, RJ, 01.05.1989
Juarez Montenegro
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Conceituação de Amor

Implica virtude. Inventa mistério. Expõe a verdade.
Infunde prudência. Infere bom senso. Oferta perdão.
Abriga segredo. Acalma a contenda. Exala saudade.
Inspira cuidado. Outorga poder. Emana afeição.

Ilustra modelo. Instala bonança. Implanta amizade.
Inflige respeito. Albergam carinho. Induz ilusão.
Direitos irmana. Espanta a tristeza. Abisma a vaidade. Deveres integra. Assume o perigo. Alerta a razão.

Nem todos os verbos,
somados aos substantivos abstratos,
e às outras categorias gramaticais,
levar-me-iam ao nível conceitual de Amor,
igualitário, indissolúvel da caridade sobrenatural,
• decantado transcendental/mente pela linguagem
do Apóstolo Paulo.

Rio de Janeiro, RJ, 23.07.2911
Juarez Montenegro
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Governança inspirada

Esconderíamos as notícias desagradáveis, impressionantes e perniciosas aos nossos queridos jovens, indefesos, sonhadores e esperançosos, caso contássemos com a preservação da nossa indispensável privacidade. Ansiaríamos que ouvissem o cauteloso silêncio.
Quanto a nós, vítimas das injunções circunstância, do oportunismo avassalador e da insensatez manifesta, entre tantas outras mazelas, como o afrouxamento do superego coletivo, o consumismo apragmático e a insensibilidade racional e afetiva, sujeitamo-nos ao descalabro do noticiário que nos leva a descaminhos e atipicidades indesejáveis, tão raros são os eventos significantes, as ocorrências significativas e as iniciativas salutares. Necessitamos urgentemente de socorro!... Que nos alentem as mais fraternais intenções!... Que nos governem as melhores inspirações!

Aracruz, ES, 19.07.2011
Juarez Montenegro
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Conclamação

Senhoras, senhores,
queridos parentes,
amigos presentes,
preclaros irmãos,
diletos credores
de tantos favores
escutem-me, emprestem
a sua audição!

Entendo que a vida
se esvai sorrateira;
passando ligeira
tem tanto a fazer...
Mas estes momentos
– minutos fugazes –
não voltam, perpassam,
não torno a viver!...

Contudo, se tenho
ciosa cedência,
com pouca fluência
resolvo a questão;
as únicas prendas
que às vezes desejo
são breves instantes
de sua atenção!...

Com versos tão simples,
de rimas tão pobres,
até redondilhas,
por certo menores,
sugiro cuidados
tão fáceis, possíveis,
anseios plausíveis
de safras maiores.

Estando no mundo,
vivendo o presente,
me digam, me lembrem...
que devo fazer?
Qualquer alegria,
um pingo de alento,
não quero, não deixem
guardar ou perder!...

Bem sei, não me julgo
nem puro, nem santo:
do santo a pureza
transcende o querer;
mas julgo a bondade
a quantos prestada –
se os torna felizes,
confere poder.

Amor nunca falha!...
há falha nos versos;
se falha nos verbos
em se conjugar;
mas as recompensas
são tão abundantes,
e não se desgasta
a graça de amar!

Exemplo convence?
Pois bem, já disseram
que o mais importante
mercê para um pai
é ser amoroso
no trato dos filhos...
Rebentos queridos
o apreço não trai!

É lindo o semblante
que pomos nos outros;
é tão amorável
os outros brindar –
decola o legado
inflado em sorrisos...
e logo aterrissa
pro bem consagrar!

Amigos, prometo
não mais convocá-los!
No meu passamento
não quero escarcéu.
Sementes plantadas,
de afetos regadas,
dão flores na terra
e frutos no céu!

Rio de Janeiro, 13.05.1996
Juarez Montenegro
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Abraço

Assim como me pedes compreensão
para tudo o que fazes de veneta
ou deixas para a última faceta
o pouco que te peço de atenção...

assim como me tratas por perneta
quando me vês na perna um arranhão,
ou deixas um saudoso coração...
assim ouso implorar-te, meu capeta!...

Se tudo o que me rogas te concedo,
o impossível não me causa medo:
o que mais queres é o que mais faço...

Quisera neste instante, tão somente,
agora e nunca mais que de repente
envolver-te nas garras deste abraço!...

Teresópolis, 01.08.2009
Juarez Montenegro

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Arquétipos franciscanos

Dois santos, duas santas vocações
acorrem-nos da Úmbria e do passado,
fulgores dum enredo preservado
ao culto de exautivas devoções.

Pela Dona Pobreza apaixonado,
Francisco, o escultor das orações,
cativa sequiosos corações,
entre os quais um claríssimo e velado.

A linda flor de Assis, nobre e preclara
penitente do Amor e da Irmandade,
convite à conversão, nossa irmã Clara,
que espelha na ‘penumbra’ a claridade,
e vivencia a crença augusta e clara
vestindo de beleza a castidade.

Rio de Janeiro, 10.07.2011
Juarez Montenegro
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Plenitude

Saindo da aquarela, a cor, a sós, um dia
implora à sinfonia um tom melodioso,
que logo se despede... e fútil, desdenhoso
encontra na fragrância a sua fantasia.

Mas, logo evanescendo o halo perfumoso,
o tom descolorido espreita a melodia,
que toma o belo à flor e a letra à poesia
e faz da partitura um hino esplendoroso.

Ó luz, bendita luz, candente e radiosa,
das vívidas manhãs, das tardes cor de rosa,
das noites de luar, micantes, estreladas!...

Sois plenificação de maviosas cores,
levai alumbramento aos nossos bastidores –
que sejam textuais às laudas elencadas!

Rio de Janeiro, 08.07.2011
Juarez Montenegro

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Lenda familiar

Protagonizo a lenda parental... um dardo
que teimo em desferir numa contenda infinda...
preciso me safar desse enganoso fardo
que me legara a sorte e me bafeja ainda.

Esnobe sonhador, fui jovem felizardo,
incólume donzel duma escudeira linda –
razão de puro enleio ao romanesco bardo
em noites de luar, ao corso de berlinda...

O tempo esmoreceu o bravo leopardo,
mudou de visual a renitente dinda,
o sonho fez-se dita, um filho fez-se pardo, a natureza - insulsa, a prevalência - finda...

Estou de volta ao clã, e subo as serranias,
dispenso as convenções, o fausto, as honrarias
para que possa ver as plagas desveladas...

Custei mas aprendi da vida passageira
que faz sentido ao vento um pouco de poeira
para esconder do cardo as folhas orvalhadas!...

Rio de Janeiro, RJ, 14.05.2011
Juarez Montenegro

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Saudade

Ouso falar de saudade
como um menino descrente
que encontra na soledade
tudo o que falta pra gente...

A saudade é contratempo
de tamanhas conseqüências
que consome todo o tempo
em relembrar as carências...

Saudade dos “velhos tempos...”
Saudade dos “belos dias...”
e de quantos passatempos,
e de tantas tripulias...

Em solidão, a saudade
faz do tempo o seu verdugo
que tosta por caridade
e só inflama refugo.

Não vou viver da saudade
que me causa nostalgia,
que não traz felicidade
ou me denega euforia...

A saudade não se inventa
como contos recontados,
é mistério que fomenta
reencontros ensaiados.

Ando alegre, mas saudoso;
prazenteiro, mas sisudo;
uma nave após o pouso...
um batel, antes de tudo.

Rememorar sentimentos
são ensejos evocados
ou indeléveis momentos
em saudade consumados.

Desencantar-se ao castigo,
no hall das recordações,
é ir a sós ao perigo
das insondáveis sansões.

A vida esvai-se em saudade
depois de ser revivida
na saudosa soledade
que nada espera da vida!...

Rio de Janeiro, 30.06.2011
Juarez Montenegro
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Consumismo apragmático

O consumo é imperioso
à insaciabilidade do tempo,
como tudo na vida...
Há tantos que fazeres
de que necessita a cultura pragmática!
A abastança abocanha mais do que necessita,
acentuando a carência majoritária.
O oportunismo leva à falácia consumista
por isso antipedagógico, amoral e excludente.
É fácil compreender que
uma das tragédias que afligem a humanidade
é o consumismo apragmátco.

Rio de Janeiro, 30.06.2011
Juarez Montenegro

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Aridez

Estou quase improdutivo...
Se não me sinto inspirado,
mais pareço um morto-vivo
vivendo do meu passado.

Como um disco musical
reprisando melodias,
nessa aridez crucial
não inovo poesias...

nem pratico plagiatos
corriqueiros, infecundos
como certos celibatos
que campeiam pelo mundo.

Espero ver-me distante
dos arremedos diversos,
cada vez mais relutante
aos artifícios perversos.

Mas, meu pendor, não me queiras
um menestrel compulsivo,
um contador de besteiras,
um falastrão inventivo.

Dispensa tais afazeres
nesses saraus adversos;
retornarei aos deveres
quando fluírem meus versos!

Rio de Janeiro, 29.05. 2011 – J. Montenegro

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Lumes e Perfumes

Num mundo candente, encantado, festivo,
airosa e brilhante desperta emoções,
um jeito de olhar amoroso, afetivo
enquanto circunda, girando às nações,

À quem me reporto? Por certo, à irmã lua
que, quando desponta num céu majestoso,
empresta à mãe terra a beleza que é sua
e a luz do seu rei e dulcíssimo esposo!

Em noites argênteas, lunares, radiosas,
na breve pujança do viço e perfumes
enlevam-se lírios, tulipas e rosas...

Ó jovens coevos, ciosos, fugazes,
se querem provar o fascínio dos lumes
enleiem-se à lua, quais flores vivazes!...

Rio de Janeiro, 05.07.2011
Juarez Montenegro
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Antítese

Nos verdes anos o esplendor celeste:
o mundo, imenso palco iluminado,
noites lunares, pálio constelado,
manhãs beijadas pelo albor do leste.

Passado o tempo tudo se reveste:
o firmamento, denso ou desbotado,
o sol, um asteróide apoquentado,
tardes pejadas pelo sudoeste.

A juventude só se martiriza
ante aventuras inexpugnáveis –
aos tenros olhos vendaval é brisa.

No pólo oposto, quando a luz declina,
as obstâncias são indesejáveis
quais virações ou flocos de neblina.

Rio de Janeiro, 21.05.1989
Juarez Montenegro
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Cumplicidade

Na ausência de fiéis explicações
às leis universais, entendimentos
aceitam acessíveis convenções
ao fórum dos holísticos eventos.

As nossas respeitáveis posições,
ou crenças, assertivas, argumentos
revelam as mais nobres intenções,
implicam os melhores sentimentos.

Entendi-me consigo, estamos juntos
no hibridismo das cumplicidades,
quais amigáveis números conjuntos
cuja soma dos próprios divisores,
expondo-os em díspares valores,
exibe suas singularidades.

Rio de Janeiro, 25.05.2011
Juarez Montenegro
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Amizade

Cheguei sem avisar, exausto, em sua casa...
a fome era maior que a trouxa de viagem;
um pássaro sem céu por falta duma asa,
um bolso sem tostão, um talo sem ramagem!

Cheguei para ficar! Tão só e sem bagagem –
um vil aventureiro ao certo não se casa...
A rabugenta sina atou-me à fuselagem...
voltei sem competir... inválido pra NASA!

Mas logo me forjou a cálida leveza
da santa piedade e casta realeza
soleiras e portais da hospitalidade...

Aceito como sou, cuidado pelo amigo,
abri meu coração... livrei-me dum castigo,
perdendo à exaustão o medo da amizade!

Rio de Janeiro, 01.08.08
J. Montenegro
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Cenário

Desperto para a cena emoldurada,
reparado num sonho aconchegante,
ante um mundo esculpido em diamante
onde vive a finesse encastelada!...

Inda cedo amanheço o meu semblante
nessa brisa de noite enluarada,
entre os braços fiéis da doce amada,
sob o beijo e fruição da bela amante.

A natura enrubesce de empatia,
azulando um céu claro ao narcisismo...
brancas nuvens bandeiam-se ao lirismo...

Lauto tempo de sol e calmaria –
na laguna e na praia mansas ondas
e o pudor seminu das giocondas!...

Praia Seca, RJ, 20.05.08
Juarez Montenegro
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Palavras e Versos para as Bodas de Ouro do casal Marly e Juarez, celebradas em 13.05.2011 e comemoradas com o meu aniversário, dia 14 do corrente.

Agradecimentos

Agradecer, também, é uma forma prodigiosa e convincente de exprimir admiração. Este verbo deveria fazer jus a uma amistosa observância, no uso afetuoso da linguagem e no escalonamento dos valores verbais. Amigo da palavra, o agradecimento pode fluir na comunicabilidade de todos os sentidos: o olhar, a escuta, o cheiro, o ósculo, o amplexo... como das diferentes falas da nossa expressividade corporal e mímica comunicacional, destacando-se o sorriso fugaz ou contagiante, o calor de um aperto de mão, a postura acolhedora e respeitosa, a ovação prazenteira e pertinente, a tenuidade dum aceno, um compassivo dar de ombros, um franzir cauteloso, um piscar inusitado, um toque de familiaridade, um gesto de comp anheirismo, um sinal de concordância, sem esquecer dos estímulos silenciosos e subliminares da intuição.

São inesgotáveis as expressões e impressões veiculadoras de reconhecimento. Vale-nos apreciar e apreender. Pensemos na inocência racional e na ingenuidade animal, fontes manifestas de gratidão. Que seria dos humanos se subtraídos de tão faustosos recursos? E ainda se fala de desvalia, de desamor, de desalento, como se o empenho frutuoso com o verbo agradecer não fosse o caminho salutar da solução e a estrada suntuosa da salvação! Por tais motivações, ratifico os protestos de estima e arrebatamento a todos os queridos presentes e àqueles sempre alcançados, onde estiverem, pela irrestrita afeição, agora exortando a dívida emotiva dos meus ancestrais e sucessores, e de tantos outros responsáveis, frontais, tangenciais ou aleatórios, p or nossas singularidades.

Rio de janeiro, 14.05.2011

Juarez Montenegro


Para quem brilham meus olhos...
Brilham pra si, minha flor,
como fanais ofuscantes
que levam longe o fulgor...

A luz dos espelhos d’álma
que na lindeza se espalma
cintila em raios de amor.

Para quem brilham seus olhos?
Cabe a você responder...
Em contestando diria
tudo o que quero saber:
se brilham de tanto afeto
para este amado indiscreto,
ou por soberba e poder.

Pelo que brilham meus olhos...
Brilham por sua ventura:
uma bela afortunada
é um lago de ternura –
seu semblante peregrino
conduz-nos a um destino
para além da sepultura.

Pelo que brilham seus olhos...
Espero que pelos meus,
que brilham por sobre o brilho –
imagens dos olhos seus.

Tais lampejos encontramos
quando juntos procuramos
as luzes do olhar de Deus!

Por que brilham nossos olhos?
Respondo pela metade –
por uma causa amorável,
pois lha quero de verdade.

Tivesse o mesmo motivo
ter-me- ia seu cativo
sobejando liberdade!...

Pra que brilham nossos olhos...
Pra mostrarem novos lumes
maiores que grandes astros,
menores que vaga-lumes,
de modo que tudo vendo
enxerguem seres vivendo
de afetos e bons costumes!...

Pra quem brilham nossos olhos...
Pra quem alumbram setilha...
Quais potentes telescópios
focados por armadilha,
amadores fervorosos
com versinhos ardilosos
ofuscam faróis de milha!...

Rio de Janeiro (RJ), 13.05.2011

Juarez Montenegro
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Francisco

Francisco fez-se a própria devoção
com preces reiteradas de louvor;
um cândido guerreiro do Senhor,
por armas teve as chagas da paixão.

Um misto de professo e sonhador,
instruiu seu zeloso coração
para, assim, venerar o Belo Amor
num nimbo de humildade e contrição.

Ensinou-nos acerca das virtudes:
somatório das outras plenitudes,
uma delas nos basta à conversão... ’

e sobre a apatia dos omissos:
‘em sendo um postulante entre os noviços,
não me cabe isentar-lhes da oração!’

Rio de Janeiro, 28.03.2011
Juarez Montenegro
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Nada

As boas coisas vividas,
mas também coisas ruins,
são vivências afluídas
para os devidos confins!...

Um beijo dado e querido,
um aceno desejado,
um abraço repartido,
um sorriso conquistado

é ‘sim’ ao merecimento,
ou ‘não’ à sagacidade,
um ‘basta’ ao constrangimento,
um ‘tento’ para a saudade!...

Mas uma dor implantada,
uma insônia consentida,
uma lágrima arrancada
(biografias sem vida...)

é exemplo convincente
de coisa que leva a nada...
mas um nada reticente
expõe a coisa implicada.

Assim o belo da vida,
assim o feio também:
o nada é coisa intuída,
a coisa é nada no além!

Quando exemplo convincente
for coisa que leva a nada,
uma alusão comovente
vira ilação sofismada.


Praia Seca, RJ, 09.03.08
Juarez Montenegro


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Repto

Tudo me falta... até os meus amores,
o que me resta insulta os contemplados,
não tenho o acalanto às minhas dores,
não sinto os meus anseios saciados.

Não me nivelo aos dissimuladores,
nem me concebo em meio aos derrotados,
se não me posto em frente aos vencedores
mal ficaria entre os acomodados.

Vou ao encalço de adoráveis seios,
procuro um colo mais condescendente,
persigo um sonho incerto e fugidio...

Hesito... inda me dou aos devaneios,
e saio à caça dum amor descrente
que me confronta como um desafio!...

Teresópolis, 23.03.2011
Juarez Montenegro


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Partida
(Aos meus 18 anos)

Oh! meu Deus, que noite aquela
em que de casa parti,
numa angústia desmedida,
a maior que já senti!...
saber que ia à procura
duma imprecisa aventura,
trocando paz e ternura
por coisas que nunca vi.

Numa cena indesejada
quão pasmado estive eu:
as estrelas não luziam
nem a lua apareceu;
a sorte as portas me abria,
naquela noite sombria,
como a capela vazia
acolhe o vil que morreu.

Os meus pais lacrimejantes,
meus irmãos e afeiçoados,
confidentes insurretos
em soluços pranteados...
um bota fora à sacada...
essa alma desesperada,
macambúzia, desolada,
tão carente de cuidados...

Já nem queria ir embora,
não sabia o que fazer,
só fora chegada a hora
pela tardança em prever...
um mundo desconhecido
pareceu-me desprovido
de beleza e de sentido...
Se parti, foi pra volver.

Oh! nem chorei, que aspereza,
que prova de ingratidão;
meus olhos não se molharam
nessa rude ocasião!...
É que as lágrimas veladas,
suspirosas, malfadadas
migraram desencantadas
pros confins do coração!

Rio de Janeiro, 20.01.1949
Juarez Montenegro


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Cálice lacrimoso

Esvai-se o sentimento em cristalino pranto,
numa desdita atroz que punge a despedida...
um sopro sincopal dum derradeiro canto,
um passo reticente ao longo duma vida.

Sofremos por igual, choraste tanto quanto...
sem comiseração em pena convertida,
com um estoicismo imaculado e santo
ao teste afetuoso, à dor duma partida.

Assim fui arrancado, ao desvario da sorte,
deixando um grande amor ao seu sofrido norte,
envolto em solidão, um vaporoso manto...

A sina transcursou sem compassividade...
Agora, destilado em gotas de saudade,
o sentimento esvai-se em cristalino pranto!...

Rio de Janeiro, 20.06.2011
Juarez Montenegro

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Acolhimento

Acolho-te nas singularidades;
e são tantas e tantas... pasmariam
aos cultores das probabilidades –
generosos, não lhas escusariam.
É que tens o viés dos sentimentos
embasando frondosos pensamentos
donde férteis eventos medrariam.

Empreguei o pretérito futuro,
condicionando a minha comoção,
por ser-me sobremodo prematuro
achar que conquistei um galardão,
pois és-me uma exemplar instigadora,
em sendo a companheira inovadora
a quem hipotequei meu coração.

Acolherei, também, teu realismo
que, se te expõe com autenticidade,
demonstra um intocável brilhantismo
mercê de tanta objetividade,
exibindo o esforço que farás
ao mesclar desempenho contumaz
com a mais amistosa lealdade.

Usando do futuro e do presente,
inda vislumbrarei o teu passado
adentrando o momento pertinente
ao tempo que nos fora reservado
para uma afetuosa convivência
com a mais arrojada conivência,
guardiã dum esplêndido legado!

Rio de Janeiro, 23.05.2011 Juarez Montenegro

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Ascese

Dos tangíveis e pródigos pecados
os superáveis, ditos veniais,
cumulam-se à pletora, se tomados
aos incautos e frívolos mortais.

Ao precisar os erros sofismados,
assaz falaciosos, viscerais,
os seres se compungem, autuados
por dolos impassíveis, maquinais.

Não basta a jardinagem das virtudes,
vivenciar da penitência a palma,
honrar os dons em prol da humanidade...

A culpa escusa as vãs solicitudes
a quem não se apegar de corpo e alma
à ingente indulgência da Verdade!

Rio de Janeiro, 14.03.2011
Juarez Montenegro
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Gaivotas de papel

Meus versos prediletos, inspirados
em teus encantos ínsitos, lascivos,
e filhos suspirosos, emotivos,
de afetos e melindres carregados,

emissários poéticos furtivos
em momentos românticos domados,
quais frutos saborosos, sazonados
por hábeis sentimentos consuntivos,

vejo-os vagando, içados pelo vento...
insto em reavê-los... pasmo!... sofro!... tento!...
Sinto-me estulto! Foste-me cruel!...

Ei-los aos ares, tímidos alados,
por mãos arteiras e pueris tornados
em singelas gaivotas de papel!

Rio de Janeiro, 01.08.1989
Juarez Montenegro

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Intenções...

Abraços, quantos abraços
já demos em nossas lidas...
mas merecidos apreços
deixamos às novas vidas.

E beijo, milhões de beijos
tardamos em oscular...
São parcos os nossos anos,
muito havemos que aprazar...

Afagos, falar de afagos,
pouco temos a dizer...
carícias que já fizemos –
aquelas deram prazer.

Acenos, trilhões de acenos
deixamos de confrontar,
por isso o mundo nos lega
um adeus no singular.

Botar o pouco no muito,
tirar o muito do pouco:
o primeiro é só intuito,
o outro é coisa de louco!...

Teresópolis, 15.04.2011
Juarez Montenegro

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Morte

Paro pra contemplá-la e logo tardo
no delírio do encontro, transpirando
como se carregasse imenso fardo
para além dum destino miserando...

E lhe pergunto acabrunhado – Quando
há de sorver-me o hálito da vida
nesse abissal mergulho, transladando
a sorte da existência combalida?

Nunca mais, nunca mais hei de sofrer
depois do tempo que enrijece as dores
e se compraz diante do viver!

Nunca mais, nunca mais tal sentimento!
Vai-se a fragrância de emurchadas flores
nesse lapso do eterno passamento...

Maceió, 19.08.1987
Juarez Montenegro

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Sedução

Amei-a como pude!... Por critério,
deixei-me às soltas para as fantasias,
ao balouço das minhas poesias,
aos encantos fulgentes do sidéreo.

Inflado pelo tom das sinfonias,
senti-me livre, lépido e etéreo...
as letras levitavam do sumério,
assim as notas para as melodias...

Agora sei... Apraz-me desvendá-lo:
sortilégio do sósia, e seu regalo –
a mandingueira Dama das Camélias!

Fui seduzido!... A sedução é trama!
Só a mulher seduz quando se ama...
Os homens cantam loas às Amélias!

Praia Seca - RJ, 09.02.2008
Juarez Montenegro

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Cárpatos

Eis-me em demanda dos Cárpatos!...
Subirei à Transilvânia,
indo ao Monte Gerlachovshy...

a um clima nubiloso
aonde o frio me plasme
para futuras linhagens...

a uma altura ilusória
onde a própria gravidade
retire o peso da culpa...

a uma instância escondida
onde a procura se perca
nas artimanhas do encontro...

a mais fria solidão,
ao mais alto desapego,
ao vazio mais vazio...

Provera fosse nos Cárpatos!...

Teresópolis, 18.09.09

Juarez Montenegro

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Mistério desse amor...

Mistério desse amor: ele é suave
como um perfume quando se esmaece,
um acalento sublimado em prece
ou vôo sutil de pequenina nave.

Às vezes lembra os frutos duma messe
de mil sabores, lembra as penas d’ave
nalguns percalços siderais, e a chave
que acessa portas quando se esmorece.

Peço-lhe vênia!... Foi-me o pensamento
buscá-la em implacável desalento,
e, transtornado, se compadeceu...

Você chorava aflita e desditosa,
guindando aos céus a súplica saudosa
de ver-me em breve!...
Eis-me aqui!... Sou eu!


Praia Seca, 13.08.2007
Juarez Montenegro
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Poetizar

Poesia é o fascínio que protagoniza o Verbo
na recriação do Belo.

O Belo é um influxo do Bem.
O Bem é a plenitude da Paz.

A Paz é a salvação do Universo.
O Universo é Tudo...
E Tudo se expressa na linguagem ubérrima da Criação!...

Poetizar é discorrer graciosamente
sobre o Óbvio e sobre o Ômega, decantando
o roteiro e seus inenarráveis cenários.

Para Poucas Palavras:
Poeta Pretende Protagonizar Protagonismos
Protagonizadores e Protagonizados ou Protagonizáveis!...
Provera Pai!...

Rio de Janeiro, 27.02.2011
Juarez Montenegro
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Cantador
Juarez Montenegro (16.10.2008)

Não quero ser contador,
exímio contabilista...
Desejo ser um artista,
um poeta cantador!
Um veio ao mundo cantor,
e quando conta vanglória
dá a mão à palmatória...
outro só conta dinheiro...
Sendo um lorde cavalheiro,
faço do canto uma historia!...

Era uma vez um Império
onde a vida sobejava,
o sorriso debruçava
seus limites no sidéreo ...
Ao desvendar o mistério,
cultivei minha memória
para o mito e para a glória...
Nesse clima afetuoso
já nasci vitorioso...
Faço do canto uma história!...

Lá vivia uma princesa,
encantada num jardim...
Era um cheiro para mim,
qual fascínio pra beleza...
Inspirou-me a natureza
uma façanha ilusória,
de versão encantatória –
a diva desencantei...
Assim, num sonho fui rei...
Faço do canto uma história!...


Um belo dia chuvoso
(pro vate a chuva é lindeza...)
encantou-se a doce Alteza,
num sono fantasioso,
deixando pra seu esposo,
numa desdita simplória,
uma baita promissória...
Mas, se foi ao Paraíso,
vale a pena o prejuízo...
Faço do canto uma história!...
A fantasia é finita,
como tudo que fascina.
Assim, também, é a sina,
seja inditosa ou bendita...
Quimera é canto pra dita,
a dita é conta irrisória...
Na verve da oratória
a morte não é sanção,
é a própria solução...
Faço do canto uma história!...
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Trabalhei com Juarez nos anos 80. O cabra era um diretor de hospício, misto de militar e franciscano. Quem diria que era um poeta nordestino das alagoas...

Postado por Edmar Oliveira

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A Poesia nos entretém pelo embevecimento de sua pertinência criativa. Atentemos para o poema AMOR AO RELENTO, de Simone Moura e Mendes, cuja superfície textual maximiza, nas duas últimas estrofes, o descomprometimento:

“A lua silenciosaplatéia de tamanho espetáculoonde a bela recata sem pudoros seios quentes nas mãos

Assiste ao angustiante desfechoonde só restará a dor, a solidãonum adeus sem compromisso”

As aventuras líricas conduzem-nos a um universo poético onde a paixão extemporânea, por sua isenção, estigmatiza a carência afetiva com o buril do sofrimento.

Juarez Montenegro

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Cantoria

Acham que sou um pateta,
cantador desmiolado,
num recanto desterrado,
sem vocação e sem meta...
Nasci com dom de poeta,
mas virei um peregrino
sem roteiro e sem destino...
Cuido de trovas com rimas,
muito aquém das obras primas,
mas além do desatino!...

Até cismei que algum dia
fosse morar em Penedo –
esconderijo e degredo
para tola cantoria...
Quem intenta a poesia
faz dum mote seu calvário,
duma estrofe, seu sudário,
dum poema, seu suplício...
se joga dum precipício
para ser visionário!...

E pensam que não labuto,
subestimam meu trabalho...
dizem que fico no atalho
da caminhada... não luto!
Eis aqui o meu tributo:
faço dum verso – oração,
dum improviso – canção,
da pobre lavra – pendor...
ainda solo o amor
à lira do coração!...


Praia Seca, 01.10.08

J. Montenegro
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A Garça e o Peixe

És imponente, bela, sobranceira,
esbelta, sedutora e sensual!...
Aos ares desfilavas altaneira...
da minha comoção vi-te ao portal.

Pernas altivas, fronte feiticeira,
colo de fada, busto de vestal,
vestes grã-finas, blusa alcoviteira,
sapatos altos, brincos de cristal.

Se te anelei por certo negaria...
Enganoso pretexto de euforia,
o livre arbítrio implica concessão...

Passes apenas... leve, iluminada,
como uma garça esguia, ensimesmada,
que deixa ao peixe culto e devoção.
Rio de Janeiro, 27.08.2007

Juarez Montenegro


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Estou chorão!...

Estou chorando, caro amigo, ...tou chorão!...
...tou dividido entre o Fred e o Japão...
Não consigo reler o teu poema,
nem acompanhar-te
na cumplicidade do luto
que nos reúne a todos
num pranto devastador...
As lágrimas não me deixam...
Por que o sol se põe a tantos,
aqui e na Terra do Sol Nascente?!...
Perguntaria ao Fred...

Rio de Janeiro, 15.93.2011

Juarez Montenegro

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Serra dos Órgãos

(Vista da cidade de Teresópolis)


Aqui desta cobertura
a Serra dos Órgãos,
saúdo o Dedo de Deus!

As encostas verdejantes,
e os cumes esmeraldinos
com laivos de pardo-oliva,
lembram peças incontestes
de sistemas complicados
às retinas encantadas
ante os flocos branquejados.

Meu dedo aponta pro Dedo,
o Dedo aponta pro Céu!

Os rochedos espigoides,
narigudos, multiformes
são realces colossais
esculpidos pelo tempo
no dorso das serranias –
aquarelas naturais.

O cerro abriga sumiços,
vividos nas comoções,
de segredos confitentes
entre duas possessões...

Meu dedo aponta pra fenda,
a fenda acena pro pico!

Do vale sobem canteiros –
coloridos cativeiros
pelos homens cultivados...

Na visão dos arquitetos
mais parecem precipícios
solitários ou juntados.

As casinhas pequeninas
escondem suas quimeras
aos olhos dos condomínios
e jogam sonhos pra baixo...

Meu dedo aponta pras tocas
e elas pros edifícios!
Neste mosaico a beleza
pinta o sete em cores mil.
Vem-me à mente a realeza
rarefeita ao Pau Brasil...

E já se esvai o lirismo
na verve do modernismo;
inda teima o romantismo
saudosista, varonil...

Contemplo a Serra dos Órgão
se seus mirantes nativos...
Um Dedo em riste, no alto,
aponta o Céu para nós!

Teresópolis, 13.08.2008

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Alagoas

Terra dos Marechais! Terra do brio!
Das letras e das artes! Da cultura
ao belo! um permanente desafio
embelezando o lindo que emoldura.

Armas oficiais! Da teia o fio
que chuleia e se lança na textura
da Pátria, que abjura o fugidio –
mimese condenável da postura!

Os nomes passam... uns imorredouros
quais pedras validadas, quais tesouros
ao rico relicário, enquanto história.

Os feitos são exemplos pré-moldados
aos tempos, esculpidos e passados
ao porvir como estímulos à gloria!

Juarez Montenegro


Cara metade
Ia qual mensageira... A formosura
dava-lhe ao dorso a sensualidade;
os traços joviais da compostura
enchiam-me de impávida vaidade.

Estando de viés à criatura,
pautei-me por mirar-lhe a majestade –
o porte estonteante de candura,
a terna compleição da probidade.

Andei para me ver emparelhado,
não a frente ou atrás, mas ao seu lado,
alinhando zelosos corações...

Já não era soslaio, vi-a em cheio,
cingindo-nos ao mesmo devaneio
as nossas intocáveis intenções!...

Teresópolis, 30.11.08

J. Montenegro



Primavera
O vale se engalana recendente,
realçando nuanças multicores;
caules se adornam, pétalas e olores
deslindam fantasias ao nascente.

Raios solares, nuvens e fulgores
maquiam-se à aurora florescente;
espelhos d’água, lagos refletores
conferem bruxuleios ao presente.

Estonteados chilram passarinhos,
penas se abanam, abrem-se caminhos
ao novo arranjo da candente esfera.

Unidos às fragrâncias e gorjeios,
juntamos multifários devaneios
aos encantos florais da primavera.

Juarez Montenegro



Pau-Brasil

(Árvore Nacional)


Amigo nativo da Terra dos Índios,
primeira riqueza dum tempo passado,
adornas vivendas nos centros urbanos –
um jeito grã-fino de ser preservado!

Espinhos no tronco de tez pardacenta
e galhos pontudos fingindo punhais
e áureas flores com nesga purpúrea
e vargens por frutos, sementes por ais!...

És como um pavão, em pujança e malícia,
rodando a folhagem quais penas febris,
o caule exibindo seus ramos mimosos
ou asas ou leques de plumas sutis.

Um lenho regado por seiva encarnada
pra cerne das prendas e móveis supinos...
resina vermelha, tintura escarlate...
  madeiro vibrante aos gentis violinos.

És uma plantinha plantada na história
e no coração dum povo altaneiro,
um filho implantado na mãe natureza,
um livro inerente ao torrão brasileiro!

Emprestas o nome à Pátria querida,
um marco sagrado tem vida e perfil...
das rubras raízes à copa frondosa
(e aos ares...) alteias teu viço ao Brasil!


Teresópolis, 21.09.2009
Juarez Montenegro

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MULHER



Dia Internacional da Mulher. Mulher Santa. Mulher Mãe. Mulher Esposa.
Mulher viga mestra da família. Feliz de quem pode beijar no dia da mulher a
sua Santa Mãe.
Dia Internacional da Mulher. Alguém já afirmou que: “a maior prova da
existência de Deus é que só Ele seria capaz de construir, na Sua Santa
Sabedoria, a figura da MÃE MULHER”. “Mãe é a mais bela obra de Deus” disse
Almeida Garrett.
“O futuro dos filhos é obra da mãe” afirmou Napoleão. Sem mãe filhos
perdidos e sociedade doente.
Quando a mulher passa a ser apenas matéria, a sociedade corre perigo. Se
em MARIA encontramos o símbolo da grandeza da Mulher Santa a história
mostra a desgraça de civilizações que desapareceram quando passaram a
adorar a mulher estampa. Quando as MESSALINAS, as ALEXANDRIAS, as
POMPADOUR, as DE BARRY dominam a sociedade, o país adoece gravemente.
Num programa de televisão, a sogra de um apresentador de passistas de
Escola de Samba disse: ” Para o ano não venham mostrar as sua bundas ao meu
Genro. ” “ A mulher é espírito.” A mulher é o encanto da vida.
A mulher, no Brasil, não esta sendo levada para ser como as Messalinas da
vida? Seus predicados físicos mostrados nos salões e até em reuniões
políticas indicam LICENCIOSIDADE ou LIBERDADE?
Quando a sociedade deixa de se ajoelhar e amar a Santa Mulher encontra-se
perto de sofrer um desastre.
Quando a sociedade julga a mulher por suas medidas materiais e não por
suas Santas virtudes, a família entra em colapso.
Cuidado Brasil: A família brasileira está sendo destruída e por isso não
esqueçam:
“A mulher é o Altar e perante o Altar nós nos ajoelhamos”, escreveu o
grande poeta francês Victor Hugo. E ele, na sua grandeza de poeta, escreveu
esta ode que encanta o espírito:
1 2
O homem é a águia que voa. Voar é dominar o espaço
A mulher, o rouxinol que canta. Cantar é dominar a alma,
. 3 4
O homem tem um farol: a consciência. O farol guia
A mulher tem uma estrela: a esperança. A esperança salva.
5
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra.
A mulher, onde começa o céu!!!

E na Bíblia encontramos:
“A mulher honesta é graça primorosa, e não há medida que determine o valor
da alma casta. Como o sol que se levanta nas alturas do Senhor, assim o
encanto da boa esposa na casa bem ordenada”. Eclesiástico 15,16-26
MULHER VOCÊ É O ROUXINOL QUE CANTA, DOMINA AS ALMAS, É A ESPERANÇA QUE
SALVA E VOCÊ ESTÁ MAIS PERTO DE DEUS. MULHER VOCÊ É GRACIOSA E O SOL DA
VIDA.

FELICIDADE MULHER SANTA E SANTA MÃE
OFERECEMOS AS NOSSAS QUERIDAS CORRESPONDENTES PENSAMENTOS DE GRANDES
MULHERES:
“EU SOU AQUELA MULHER QUE FEZ A ESCALADA DA MONTANHA DA VIDA REMOVENDO
PEDRAS E PLANTANDO FLORES”.
CORA CORALINA, POETISA

“HÁ DOIS TIPOS DE PESSOAS: AS QUE FAZEM AS COISAS E AS QUE FICAM COM OS
LOUROS. PROCURE FICAR NO PRIMEIRO GRUPO: HÁ MENOS COMPETIÇÃO LÁ”.
INDIRA GANDHI, ESTADISTA

“APRENDI COM AS PRIMAVERAS A ME DEIXAR CORTAR E VOLTAR INTEIRA”.
CECÍLIA MEIRELES, POETISA

“AMOR É COMO MERCÚRIO NA MÃO. DEIXE A MÃO ABERTA E ELE PERMANECERÁ;
AGARRE-O FIRME E ELE ESCAPARÁ”.
DOROTHY PARKER, ESCRITORA

“VOCÊ NÃO PODE ESCOLHER COMO VAI MORRER OU QUANDO. VOCÊ SÓ PODE DECIDIR
COMO VIVER PARA QUE NÃO TENHA SIDO EM VÃO. ”
JOAN BAEZ, CANTORA

“DAI-ME, SENHOR, A PERSEVERANÇA DAS ONDAS DO MAR, QUE FAZEM DE CADA RECUO
UM PONTO DE PARTIDA PARA UM NOVO AVANÇO”.
GABRIELA MISTRAL, POETISA

   NÃO TENHO TEMPO DE DESFRALDAR OUTRA BANDEIRA QUE NÃO SEJA A DA COMPREENSÃO,
DO ENCONTRO E DO ENTENDIMENTO ENTRE AS PESSOAS”.
ELIS REGINA, CANTORA

“QUANDO NADA É CERTO, TUDO É POSSÍVEL”.
MARGARETH DRABBLE, ESCRITORA

“QUEM NÃO SABE CHORAR DE TODO O CORAÇÃO TAMBÉM NÃO SABE RIR”.
GOLDA MEIR, ESTADISTA

“NADA NA VIDA DEVE SER TEMIDO, SOMENTE COMPREENDIDO. AGORA É HORA DE
COMPREENDER MAIS PARA TEMER MENOS”.
MARIE CURIE, FÍSICA

“QUANDO PRECISAR QUE ALGO SEJA DITO, CHAME UM HOMEM. QUANDO QUISER QUE ALGO
SEJA FEITO, CHAME UMA MULHER. ”
MARGARETH THATCHER, ESTADISTA

“VAMOS! CORRA A FAZER ALGUMA OBRA DE CARIDADE!”
SANTA TEREZINHA, QUANDO NOTAVA
TRISTEZA NALGUM SEMELHANTE

“RI ALEGREMENTE E O MUNDO RIRÁ CONTIGO; CHORA E CHORARÁS SOZINHO. ESTA
VELHA E BOA TERRA PRECISA PEDIR EMPRESTADA QUALQUER ALEGRIA, PORQUANTO JÁ
TEM ABORRECIMENTOS DE SOBRA.”
ELLA WILCOX, POETISA

“AMOR NÃO TEM NADA A VER COM O QUE ESPERAS CONSEGUIR, APENAS COM O QUE
ESPERAS DAR; QUER DIZER, TUDO.”
KATHARINE HEPBURN

“O FANÁTICO É UM HOMEM COM OS DOIS PÉS PLANTADOS FIRMEMENTE NAS NUVENS.”
ELEANOR ROOSEVELT

“QUANDO UMA PORTA DA FELICIDADE SE FECHA, OUTRA SE ABRE. MUITAS VEZES
FICAMOS TANTO TEMPO OLHANDO PARA A PORTA FECHADA QUE NÃO VEMOS A QUE SE
ABRIU. ”
HELEN KELLER,

“O FUTURO NÃO NOS TRAZ NEM NOS DÁ NADA. NÓS É QUE, PARA CONSTRUÍ-LO,
DEVEMOS DAR-LHE TUDO”.
SIMONE WEIL, FILÓSOFA E ATIVISTA

“NÃO DEVEMOS PERMITIR QUE ALGUÉM SE AFASTE DE NÓS SEM SENTIR-SE MELHOR E
MAIS FELIZ.”
MADRE TERESA DE CALCUTÁ

(COMPILAÇÃO)           Juarez Montenegro