A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.

Simone Moura e Mendes

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Mão


O correr da mão
resolve uma equação
demonstra teoremas
projeta sistemas
defende o ecossistema

O correr da mão
desenha um poema, que
singra os mares e amares
da imaginação: a poesia

O correr da mão
maneja a aquarela
a resumir uma tela
com vidas sem querelas

O correr da mão
acorda os acordes da viola
fazendo a lua suspirar
ardente de emoção

O correr da mão
arrepia a pele amada
abre a porta do desejo
devorante da madrugada

O correr da mão
detona bombas
aperta gatilhos
provoca sequelas
sepulta sorrisos...


Simone Moura e Mendes
(Poesia inédita)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A menina do "mundo da lua"

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Dizem que ela “não tem memória, se muito uma vaga lembrança”, porquanto esquece, com razoável frequencia, dos fatos mais imediatos. Não fixa os detalhes físicos das pessoas, bem como as nuances do ambiente que a cerca; e, conforme ela própria confessa, olhar para cima e tentar lembrar-se da roupa em que está vestida, pode redundar em tormentosa angústia. A verdade é que se abstrai do mundo circundante com extrema facilidade, daí por que muitas de suas ações, realizadas no “piloto automático”, deságuam em formidáveis asneiras. Não à-toa obtivera, desde pequena, a insígnia de “voadora”.

Conta-se que, certa feita, estava num expediente de trabalho turbulento, quando recebera uma chamada em seu celular de alguém que precisava falar com uma funcionária de outro setor. Anunciou-lhe, educadamente, que passaria a ligação do seu celular para o ramal respectivo, conquanto houvesse protesto daquele que estava do outro lado da linha: “mulher, acorda! Eu estou ligando para o seu celular, ele não há de possuir qualquer vínculo com um ramal”. Espera, rapaz, eu consigo! – respondera com certa aspereza. Frustração para ela e motivo para muita algazarra dos que se encontravam no recinto: foi, então, flagrada com o telefone convencional numa mão e o celular outra, restringindo-se a dizer: “eita, pooosso não!!!!”

Noutra situação, tomara de seu veículo e foi à academia na primeira hora após o raiar do sol, quase sem deixar o lençol cair. Primeira aluna a chegar, como de costume; devido ao estado de sonolência e receosa pela onda de violência urbana que assola a cidade, conjecturou ser um eventual ladrão aquele que era o jardineiro da academia - ele jamais havia sido visto no local. Na pressa de deixar a rua, esqueceu de acionar o freio de mão: lá ia seu celtinha, já negociado numa concessionária, rampa abaixo; quando ele já estava fazendo a curva, num despertar forçado, conseguiu deter-lhe a marcha antes de uma colisão com um automóvel que dobrasse a esquina da rua principal. Todavia, não se sabe o como da façanha, seu pé, calçado num tênis, ficou preso embaixo da roda traseira. A quem pediu socorro? A ele, ao talvez meliante, que, solidariamente, requereu auxílio do vendedor de mungunzá a trafegar numa bicicleta. As funcionárias da academia foram à porta tentar entender a confusão. Transposto o susto, ninguém, nem mesmo a aparvalhada vítima, conseguiu moderar os risos.

Há uma vastidão de histórias de semelhante quilate a seu respeito. Ela, preocupação à parte, considerando ter conhecimento de que dois membros de sua família estão com Alzheimer, lida com suas sandices à base de peculiar bom-humor – fazer o quê?! Todavia, o ponto culminante de seus absurdos ocorreu num meio-dia de quarta-feira de cinza. De cara limpa, para que não se pense que podia estar sob o efeito de alguma substância de caráter alucinógeno, chegou, na companhia do esposo, à casa de uns amigos dos filhos, onde estes haviam passado o carnaval. No intento de cumprimentar o pai dos meninos, apertara sua mão, mas os dois beijinhos costumeiros foram desferidos no marido, que estava contíguo. Todos, então, se entreolharam estupefatos até que, sem encontrarem explicação plausível, desabaram numa fartura de gargalhadas. Ela, sequer teve fôlego para cumprimentar os demais familiares, também, anfitriões. Uma coisa é fato: induvidosamente, é apaixonada pelo marido!

Anos decorreram e essa história vem ganhando cada vez mais ouvidos. Algumas pessoas têm o fato por inverossímil, outras, a par da realidade de sua protagonista, apenas, contabilizam-na como mais uma atrapalhada da “menina do mundo da lua”.

Será esse curto-circuito nos neurônios imanente aos poetas? Se sim, quem sabe ela não teria essa vocação enrustida? É o mais auspicioso dos prognósticos.

Simone Moura e Mendes
(Crônica inédita)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pesadelo

Estou viva!
coração bate em descompasso no interior do peito
estou mais viva do que as outras pessoas
dos meus lábios sai um riso... uma gargalhada
e de imediato se contraem

Caí na realidade... vou sofrer, chorar
e no meu desespero me encontrar e te perder
no meu sono chorar o sonho
acordar, fugir, rir... ouvir o silêncio esmagador

Não penso, masturbo o mente
receio a fome, a lama, o caos... a perda de mim mesma
as pessoas me olham, mas não me enxergam
o coração está coberto por carne, ossos, sangue...
e se aberto estivesse não o entenderiam

Já não tenho muito que oferecer...
pensamentos vagos, palavras muitas e mal pronunciadas
errei, relutei... e tornei a errar
vejo o espelho refletir minha imagem
ele parece se embaçar... com isso sofri
e descobri que era a minha forçada respiração

O meu choro se embutiu, sumiu, não rola
as glândulas se saturaram... pediram e não escutei
nada me seduz, nem excita
nem o choá, choá das ondas

E absorta no meu pesadelo estava
quando descobri que nada sou, e sou o mundo
o meu mundo impenetrável

(Poesia do livro Incógnita)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tomou uma gelada



Desde a constatação de que a mãe adquiru Alzheimer, Antonina passou a visitá-la sistematicamente, em respeito ao quanto acordado com sua única irmã no sentido de que aquela deveria dispor da presença de uma das filhas em todos os finais de semana, de modo invariável. Portanto, embora devorada pelo acúmulo de fadiga de uma extenuante rotina de trabalho, acorda aos sábados, com o coração prenhe de amor por aquela velhinha que a conduzira aos prazeres da vida, e ruma para o Município de Estrela de Alagoas, sempre, via Garanhuns – prefere não arriscar uma mudança de itinerário.

Certa feita, aproveitara um feriado numa sexta-feira para passar mais tempo com a mãe e, também, poder melhor descansar. Pôs a Secretária, e o filho de recém-inaugurada adolescência, no carro de motor 1000 cilindradas, com a intenção de somente parar na porta da amada mãezinha, que, sequer, se inteirava de sua presença, diante da investida inclemente do doutor alemão. O carro seguia como se tivesse vida própria, indiferente à cantante motorista que bradava Maria Betânia a plenos pulmões. Nesse estado de graça, não observara o traiçoeiro trevo de acesso.

Conforme a paisagem ia perdendo a familiaridade, percebera que algo estaria errado. Ao vislumbrar um posto da polícia rodoviária, dispôs-se a tomar alguma informação, vindo a indagar ao policial aonde aquele caminho a levaria. O policial, então, transformou sua pergunta noutra questão: qual o destino pretendido, Senhora? Estrela de Alagoas. Estrela de Alagoas?! O homem fardado franzira o cenho, tamanha era sua indignação: é a primeira vez que vai até esse lugar, minha senhora? Não, meu amigo, vou quinzenalmente, há muitos anos, visto que minha mãezinha vive lá – respondeu com ar de transbordante intolerância e pernóstica superioridade. Faça a volta, minha senhora, pois já está próxima de Caruaru! O queeeeê?!!!

As trapalhadas de Antonina, não param por aí. Inúmeras vezes fora flagrada, pela mesma pessoa, rua acima, rua abaixo, nos fundos do edifício onde trabalha. Ao vê-la com olhar aflito e passos apressados, já era certo para o espectador de sempre que aquela mulher “sui generis” estaria a procurar seu veículo, na renovada suspeita de que houvera sido furtado.

Outro dia, anunciara à turma do trabalho que iria ao Bouganville arranjar um paquera e balançar o esqueleto até o raiar do dia. Na segunda-feira, todos queriam saber como havia transcorrido a noitada: “vocês nem vão acreditar! Dancei a noite inteira submissa aos galanteios de um atraente senhor, que se apresentou como empresário do ramo de frios. Trocamos telefones e sussurros. No dia seguinte, um domingo deslumbrante, pus o meu fio-dental, minha canga, meus óculos escuros, com a cadeira e uma amiga à tiracolo – a mesma que me fizera companhia na véspera – e, fui aquecer a memória das doces surpresas que a generosa vida me tem proporcionado, sob o causticante sol da Praia da Pajuçara. Mas, surpresa maior não haveria de ter. O som de uma voz me chegara bastante familiar aos ouvidos num grito de ‘picolé caicó, picolé caicó’. Era ele, o meu empresário do ramo de frios! Tomei uma gelada, meninos!”

Simone Moura e Mendes (Crônica inédita)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Amor ao relento

A lua em sua pequenina morada
acompanhada das estrelas-filhas
derrama seu sorriso na vasta escuridão
onde corpos suados ao relento
gemem de paixão

O mar rastejando na fina areia úmida
carrega os sussurros na sua imensidão
lava os resquícios do amor
com o regozijo das ondas

A lua silenciosa
platéia de tamanho espetáculo
onde a bela recata sem pudor
os seios quentes nas mãos

Assiste ao angustiante desfecho
onde só restará a dor, a solidão
num adeus sem compromisso

Simone Moura e Mendes
(poesia do livro Incógnita)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A curva da estrada


A curva estava lá na estrada
na mesma estrada, a mesma curva
serpenteando, furiosa, o canavial
que me soprou o verde da esperança

A curva que tentou a minha vida
que quis me apresentar à morte
fez relampejar a lembrança da sorte
de ter um Deus para me amparar
com mais poder que a sua insídia

Não morri...
e com o amor do renascimento
contei o que me fizera a curva
às vidas de mim nascidas: ungidas
e o que as curvas da vida fazem
se a Deus não se dispuserem amar

Simone Moura e Mendes
(Poesia inédita)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Um TOC hilariante

Não seria Eloi um insano institucionalizado, pois inteiramente socializado e socializador. Não conviria atribuir-lhe rótulos, até mesmo porque suas psicopatologias são tais quais aquilo que se pode enxergar através de um caleidoscópio. Ele é mesmo multifacetado, certamente incognoscível, inominado.

Eloi não surpreendia por seus agires inteligentes, objetivos, pertinentes. Todavia, não tão infreqüentes eram suas as aparições com comportamentos bizarros, prolixos, desarrazoados, retrógrados, inflexíveis, alienados, que, não fossem por suas imensuráveis virtudes, seu humor contagiante, irreverente, dificilmente sairiam impunes, fossem no recôndito do seu lar ou no convívio social, sendo este praticamente adstrito aos seres que o prezam, de modo que não lhe ameaça a perda dos afetos.

Algumas bizarrices são mesmo atávicas e o mundo onde circunda as define como na contramão do senso comum. Procurara Eloi um Psiquiatra e a ele narrou suas maneiras de proceder. Mostrara-lhe, inclusive, no risque-rabisque disposto sobre seu birô, como escreve o numeral um (1), desenhando-o e fazendo-lhe o arremate com uma tampa de caneta, no papel de régua, a fim de que o traço desse numeral não ficasse torto. Relatara-lhe, ainda, uma amostra de suas manias, como a de não tolerar sapatos desalinhados, quadros e tapetes tortos. O especialista franzira o cenho, coçara a cabeça, para, então, concluir: “você tem transtorno obsessivo compulsivo, o famoso TOC”. Eloi, por intermédio das diversas mídias, já tivera esse vislumbre, mas agora estaria ele com o diagnóstico confirmado por quem dispunha de autoridade para tal.

O TOC de Eloi poderia ser redefinido como TOCH – Transtorno Obsessivo Compulsivo Hilariante. Portanto, dele, muitas histórias inconvencionais, mas extratoras de homéricas e loquazes gargalhadas, já advieram. Eloi não come biscoito/bolacha, castanha, amendoim e outros alimentos que não estejam completamente inteiros, não os come, ademais, se forem em número ímpar. Inconformado com isso, em dada circunstância, o “coleguinha” Dudu interviera: “Eloi, meu camarada, hoje você vai sair daqui curado” – introduzira na boca de Eloi um punhado de castanhas, sem dar chance para que este pudesse separar as inteiras das quebradas ou verificar se em número par ou ímpar.

Certo dia, estava ele com a esposa numa elegante padaria/conveniência e pedira que lhe fossem servidas seis margaridas (salgadinho de queijo). O garçom quis saber se poderiam ser 140g. Claro! Respondera-lhe Eloi. Enquanto não lhe chegava o pedido, indagara, porém, à sua esposa se 140g dariam quantidade par ou ímpar das tais margaridas. Ooooh! Eloi! Você não estava se curando dessas loucuras? Estou chegando lá, dissera-lhe ele. Mas qual nada, Eloi fez mesmo com que a esposa comesse as margaridas que quisesse, desde que as que ficassem para ele fossem em número par. O TOC estava vivo, meu Deus!

Simone Moura e Mendes
(Crônica inédita)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Artista circense

Sinto o suor abundantemente
inundando-me o corpo e a alma
respiração ofegante, lassidão
extenuada, minhas pernas insanas
pedalam velozmente
permanecendo no mesmo chão

Uma artista circense
de um subúrbio esquecido
eis como se me reflete o espelho
sem qualquer comiseração

Giros e mais giros
sem do mesmo espaço sair
sem a nada chegar
vejo-me escravizar
na tirania da minha obsessão

Magra... esquálida
rechochunda,
pobre, rica, culta ou ignara
oculta ou desmascarada
a vida se espraia e grita
diante de uma expectante desatinada
cuja morte é seu único quinhão

Inobstante o assalto da razão
assisto ao escoar do tempo
na busca de melhor configuração

Simone Moura e Mendes
(Poesia do livro Eu mesma... nua)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Como se forja uma mulher de sucesso



Aos treze anos, vira-se órfã de pai vivo. Fim-de-safra de uma família de quatro filhos, interpretara que sua genitora suportaria, meramente, à satisfação de suas necessidades primárias, à custa do fornecimento de marmitas, ensino particular, dentre outras atividades produtivas, porém, minimamente idôneas para a manutenção da sobrevivência confortável da extensa família. Sua precoce consciência sinalizou, de consequência, no sentido de que justiça faria se robustecesse o orçamento doméstico, considerando que seus irmãos mais velhos já não se permitiam o privilégio de somente estudar. Como, ademais, atender aos reclames da vaidade adolescente senão se dispondo a sair dos aconchegantes mimos de sua ama Maria, que a carregava embaixo das axilas desde o primeiro choro?

Algumas, em seu lugar, se comportariam de modo avesso aos princípios éticos, morais e religiosos transferidos por sua mãe, que, por sinal, deriva de família abastada, cujas riquezas foram dilapidadas pelas incúrias do marido. Aliás, mesmo hodiernamente, tais desvios são diuturnamente praticados por adolescentes universitárias, muitas das quais filhas da classe média, que se rendem aos apelos de uma sociedade consumista, vendem o corpo, sejam para os homens de vida dupla, vampiros da sexualidade vulnerável, ou, até mesmo, para as revistas masculinas, sob o acólito do nu artístico. Ela, não! Utilizara seus olhos de lince para sondar as possíveis alternativas de um trabalho digno; esculpiria sua história de modo a que nada precisasse omitir de sua futura prole.

Ingressara no mercado de trabalho em idade de brincar de boneca, sem jamais haver abandonado os estudos - frise-se, que, na qualidade de menor, não logrou qualquer obstaculização ou proteção das leis trabalhistas vigentes, somente mais atentas a isso com o advento da Carta Magna de 1988. Fora laborar numa das óticas de uma rede de cujo proprietário não tolerava qualquer deslize; sua austeridade não perdoaria sequer os eventuais desvarios naturais da adolescência recém-florida. As vezes que se curvara para lavar o banheiro, no entanto, deram substrato para a forja uma mulher proba, sem ângulos que maculem seu caminhar.

Valorizara cada tostão auferido, consumidos na construção de uma vida digna. Graduou-se em Psicologia para atar os fios mentais dos derrotados. Após quase seis anos de namoro e noivado com um rapaz igualmente trabalhador, casou-se – e, destaque-se: fez questão de declarar à família e amigos que estava casando de branco porque legitimada a tal conduta pelos preceitos católicos. Foi mãe de dois filhos, criados e orientados para a vida com todo seu desvelo.

Não fossem as inclementes reformas administrativas por que passou a Constituição, essa inquebrantável cidadã brasileira – aquela “que não desiste nunca” -, já teria tempo de contribuição suficiente para repousar em trabalhos como diletante, pois que de uma existência continuamente produtiva, jamais abdicaria.

Sua trajetória a qualifica como mulher de sucesso cujos rastros deveriam ser redesenhados por aqueles que se justificam como vítimas de um meio social inóspito e degenerado. Bravo indomável heroína! Sua história, acredite, estará inserta nos genes de seus descendentes.

Simone Moura e Mendes
(Crônica inédita)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Andarilhos do espaço

Somos andarilhos do espaço
cúmplices errantes
espíritos afins
harmonia de amor

Quando me for
não deixarei romperem-se os elos
dessa corrente fluídica que nos une
não nos dispersaremos

Vimos doutra dimensão
para neste andar do tempo
darmo-nos as mãos
por tantas trilhas enveredamos
muitos espinhos feriram-nos... cicatrizamo-nos
somos uno

Aqui e alhures
não sei aonde iremos – não me importa
em qualquer lugar,
senão fisicamente,
em espírito, juntos
eternamente estaremos

Afoguemos os prantos
incontidos da vida – foram tantos
experientes, crescidos
banidos da tristeza
vivamos na fortaleza
erguida para nosso amor

Simone Moura e Mendes
(Poesia do livro Eu mesma...nua)