A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.

Simone Moura e Mendes

terça-feira, 15 de novembro de 2011

“Movido a álcool só o motorista”

Existem mesmo pessoas de má sorte? Ou que estejam determinadas ao fracasso? Caso cada criatura seja artífice de seu destino, como muitos acreditam, ele está a traçar o seu sem régua nem compasso. Talvez seja mesmo verdade que muitas vezes não aja de acordo com a prudência, como, por exemplo, quando abusa da bebida e aventura-se na direção. Aliás, seu estado de elevado teor etílico é logo denunciado aos amigos, quando seus olhos saltam do globo ocular, o que lhe rendera a alcunha de “Sapão”.
Certo dia, subiu na garupa da moto de um amigo a fim de tomar umas cervejas e conversar amenidades num dos aprazíveis bares da Massagueira. Comer siri de coral e sururu às margens da Lagoa do Mundaú, após cocada de leite condensado e, também, de maracujá, a título de sobremesa. Isso não era lá um programa que costumasse jogar fora, máxime naquele delicioso sábado, em seu primeiro dia de férias.
Uma cerveja, uma piada, uma galhofa, um causo... As horas correram a galope, delatadas pelo declínio do sol e a aparição tímida da lua. Ele, um pouco menos ébrio que o amigo, não dispunha de prática em pilotar moto. Entretanto, pelo modo em que o companheiro se erguera do banquinho não conviria arriscar-se à tutela de sua direção.
Conseguiram passar ilesos pela ponte da Massagueira. Contudo, até chegarem à Ponte Divaldo Suruagy, foram contabilizadas seis quedas mato adentro, sem conseqüências, exceto uns minúsculos arranhões, afinal, a velocidade não ultrapassava 20 km. A cada tombo, quando quase refeitos do surto de risos “pastosos” e algumas (des)considerações, resolviam revezar-se na condução da moto. Chegaram ao destino, enfim. Sorte: boa ou má?
Pudesse ele estar tomando algumas cervejas, mas em sonho. Seu veículo, ou “transporte”, como costumava, desditosamente, denominá-lo, repousava na calçada de casa, depois de um dia de grandes deslocamentos a serviço das atividades profissionais. Um motorista, desrespeitoso quanto à abstinência etílica cautelar dos dias úteis, precipitou-se sobre o “transporte”, infringindo-lhe o famoso “PT” – perda total. Não estava segurado, então “PT saudações”.
Com o propósito de que pudesse dar consecução aos seus misteres, foi agraciado pelo empréstimo do veículo de lazer de um amigo, que dele se apiedou quando viu a quantidade de carnês e promissórias entulhadas em cima da mesa, numa visita de cortesia. Chuvas torrenciais na cidade de Maceió, quando o carro emprestado dormitava no mesmo local de costume. Uma impiedosa rajada de vento arrancou a árvore pela raiz, sob a qual estava o veículo, que não pôde encontrar o chão porque este a impediu. Partido ao meio, foi alvo de reportagem televisiva, assistida “ao vivo e a cores” pelo amigo misericordioso – o dono do carro.
Detalhe: nenhum dos dois veículos acidentados eram movidos a álcool.
Simone Moura e Mendes

Um comentário:

  1. Surpresas e ironias. Bom texto. Parabéns! PS: Não sigo qualquer blog da Luisa ahahahah

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