Dá para aspirar o cheiro do ar prometedor
dá para navegar no oceano da liberdade
nos ideais democráticos dos Trabalhistas
que compunham a Carta de Lisboa
Dá para embrenhar-se na ânsia dos exilados
dos engajados, reunidos no além-mar
uníssonos, em prol da amada pátria Brasil
na esperança de desatar o nó da opressão
que imolava a alma de seus irmãos
As idéias libertárias vão se despindo da essência
desvirtuam-se nos atalhos dos que se locupletam
a partir da ignorância nutrida com a ilusão de saciedade
da bondade disfarçada que, na verdade, é sanguessuga
parasitária da boa-fé de uma vampirizada população
O ideário é pulverizado na redundância da ambição
o sacramento comungado promove a escravidão
o povo, de quem todo o poder emana, é raquítico
faz-se de opróbrio da elite no após de cada eleição
segregados nos guetos, permanece em desolação
estatística da miséria, militante da alienação
Simone Moura e Mendes
A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.
Simone Moura e Mendes
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Ideário pulverizado
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Simone Moura e Mendes
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