A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.

Simone Moura e Mendes

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um salto ao passado


Num salto, voltei a um passado longínquo
vi-nos faceiras, de calcinha “bunda-rica”
cabelos revoltos e sorrisos desdentados
a costurarmos vestidinhos de boneca
sem nos importar se a rua era torta
se morreríamos ou se “Inês era morta”

Vi-nos no pequeno quintal de areia preta
a parodiarmos macaco, nos galhos da goiabeira
produtora de saborosos frutos de polpa branca
bem mais doce que a insipidez de nossas infâncias
por nós adocicadas com as nossas brincadeiras

Sem direito à escolha, por contingência da vida
sem dizermos adeus, fomos medrar distantes
sem nos distanciarmos das maviosas lembranças
das quimeras que enfeixaram as nossas infâncias

Nas diversas militâncias, nos tantos embates
fizemos das horas a composição de nossas histórias
conquanto alguns abates, vencemos combates
e ensinamos aos nossos filhos o valor da amizade

Simone Moura e Mendes

1 comentários:

  1. Tenho lido seus poemas e neles gosto de refletir. Há emoção, belas construções e vida. Por isso irei adicionar seu blog no meu blog: http://ronperlim.blogspot.com

    Abraço!

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