Mulher refeita pelos raios do arrebol
a Deus agradece a luz salvífica
incrustada dentro dos pretos capotes
sob as águas da Lagoa do Mundaú
Com suas mãos de marisqueira
dia após dia, tece a trama do futuro
e com o orgulho de uma alagoana
de mente fortificada pelo fosfato
encaminha seu filho à escola
Não o verá nos semáforos a esmolar
limpando os parabrisas dos abastados
vendendo mariola em troca de um trocado
nem cortando os pés nos capotes do sururu
ou ao léu, nos becos, cheirando craque e cola
Chafurda na lama, mas respira esperança
e altiva, não prescinde do ar da dignidade
vai à cata do sururu que lhe dá o angu
enleva-se, eleva-se, louva o grande Deus
reverencia a Lagoa do Mundaú
Já cansada, queda-se ao declinar do sol
não sem antes beijar do filho a face
ensinar-lhe a lição, um princípio ético
bendizer a sobrevivência à custa do sururu
dessa rica seiva da Lagoa do Mundaú
Simone Moura e Mendes
A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.
Simone Moura e Mendes
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Da seiva da Lagoa do Mundaú
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