Estou viva!
coração bate em descompasso no interior do peito
estou mais viva do que as outras pessoas
dos meus lábios sai um riso... uma gargalhada
e de imediato se contraem
Caí na realidade... vou sofrer, chorar
e no meu desespero me encontrar e te perder
no meu sono chorar o sonho
acordar, fugir, rir... ouvir o silêncio esmagador
Não penso, masturbo o mente
receio a fome, a lama, o caos... a perda de mim mesma
as pessoas me olham, mas não me enxergam
o coração está coberto por carne, ossos, sangue...
e se aberto estivesse não o entenderiam
Já não tenho muito que oferecer...
pensamentos vagos, palavras muitas e mal pronunciadas
errei, relutei... e tornei a errar
vejo o espelho refletir minha imagem
ele parece se embaçar... com isso sofri
e descobri que era a minha forçada respiração
O meu choro se embutiu, sumiu, não rola
as glândulas se saturaram... pediram e não escutei
nada me seduz, nem excita
nem o choá, choá das ondas
E absorta no meu pesadelo estava
quando descobri que nada sou, e sou o mundo
o meu mundo impenetrável
(Poesia do livro Incógnita)
A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.
Simone Moura e Mendes
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Pesadelo
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Simone Moura e Mendes
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