A poesia me encontrou. Encontrei-me na poesia! Concedo-lha portentosas asas para alçar longínquos voos e disseminar sonhos nos corações cúmplices e sensíveis. Que ela logre fabulosos rasantes em vastos mundos prenhes de luz e encontre, por fim, felizes e aconchegantes moradas em almas renovadas.

Simone Moura e Mendes

sábado, 28 de janeiro de 2012

Adolescência

Vou aproveitar a adolescência... curtir os prazeres que a vida puder-me oferecer
enquanto a velhice não me arrebatar os sonhos

Vou explorar o meu corpo com as minhas mãos
sonhar com uma violenta paixão
enveredar-me por caminhos floridos
ouvir a sonoridade dos pássaros
embriagar-me de paz
caminhar descalça, cabelos ao sopro do vento

Acreditar que tenho dons poéticos
que curto sons frenéticos
abominar música clássica
apenas fazer serenata

Ter anseios políticos
achar que posso mudar o mundo
e fazer dos meus propósitos
um mundo de realização

Simone Moura e Mendes
(Poesia do livro Incógnita - esrita com cerca de 16 anos de idade)

sábado, 21 de janeiro de 2012

ANILDA LEÃO e eu




Adotei o padrão de escrever minhas crônicas na terceira pessoa. Normalmente, com o escopo de esconder alguém, ou a mim mesma, entre as personagens – um nome fictício, ou, simplesmente, “ele(a)”, “fulano”, “sicrano”. Entendo que esse mimetismo confere certa aura de mistério ao texto. Nego-me, porém, a camuflar-me aqui. Esse eu, sou eu mesma. A subscritora, ora em posição de confitente.
Possuía versos, ainda, datilografados, em papéis amarelecidos pelo efeito do tempo; sôfregos, tímidos, em meus alfarrábios. Ensaios poéticos produzidos em surtos, dos 12 aos 30 anos de idade.
É isso. A conta pode não bater, mas foram 15 anos divididos entre o sonhar de imortalizar-me numa coletânea poética (existencial) e o não querer resoluto, indômito... Um estado de catalepsia alimentado pela insegurança pueril, quando, peremptoriamente, uma personagem de uma de minhas crônicas (Aninha, minha cunhada/irmã) sentenciou-me: “dê-me já estas folhas, Sil, que ausculto o destino que poderão ter!” – ela é medica do corpo e da alma. Pronto. Uma luz!
Uma discípula pronta que fez a mestra aparecer?
Vejamos. Falando de meu sonho à minha mãe, disse-me que conhecia Anilda Leão. Desenhou-ma num pedestal: “uma espírita maravilhosa, uma artista valorosa... E poetisa, viu?”. É mesmo, Mamãe?! Leve-me a ela, pois quero mostrar-lhe meus poemas.
No agradável jardim de sua residência, sentava à frente da mestra (sim, da mestra Anilda), com dedos dos pés encarando-se. Eu, a pretensa discípula, aguardava o veredicto de quem já me havia advertido de que costumava ser franca em suas avaliações, quando, para quebrar o clima e fazer meu sangue voltar a fluir, respondi-lhe, em tom jocoso, que se estivesse somente a pretender elogios, teria mostrado meus versos somente à minha mãe - risos.
Anilda corria os olhos nos versos com ar indefinido, enquanto eu congelava. Seu parecer foi lacônico: “é poesia, menina”. Respirei. Vale a pena publicar, Anilda? “É claro que vale! E eu estarei lá no lançamento” – cumpriu a promessa. Então, meu pedido é que me faça um prefácio.
Agora, Anilda, tenho mais que um prefácio. Um testemunho vivo imortalizado nas páginas de meu primeiro livro (Incógnita, 1997). Para mim, de valor inestimável, um documento histórico, de onde extraio este excerto: “Existem também os menos eruditos, os mais simples, contudo, mostrando uma grande força interior. De uma solidez tão grande, que até o mais simples do verso contido no poema se torna grandioso, e fica martelando na consciência e na alma do leitor. Assim são os poemas inseridos nos originais que tenho em mãos, da jovem poetisa Simone Moura e Mendes. "INCÓGNITA", o título do livro, revela-nos que a autora, principiante agora na arte de versejar, terá, quando os maduros tempos chegarem, o seu lugar na antologia dos poeta s alagoanos. Com certeza.”
Confesso-lhe, Anilda, que esses maduros tempos não chegaram. E, talvez, jamais cheguem. Um lugar minúsculo na antologia dos poetas alagoanos, quem sabe? Certamente, um vidro distinguido por estar entre tantos diamantes, que teve o privilégio de figurar na lavra de uma imortal, amorosamente recebida na “Ilha”, por Carlos Moliterno.

Simone Moura e Mendes

(Publicada em  O Jornal, edição de 21/01/2012)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Vítima de uma taturana


Sol e céu prenunciadores de alegria animavam um domingo matinal de março. No entorno da comprida mesa de madeira, amigos reuniam-se para nova e descontraída celebração da vida – programá-la e reprogramá-la -, conforme costumeiramente fizeram em tantos outros finais de semana. Desta feita, planejavam a noite de autógrafo de uma novel escritora revelada aos 79 anos de existência, com quem eles possuem estreito vínculo; falavam do coquetel de lançamento da formidável obra prestes a sair do prelo para aventurar-se no mundo literário; discutiam quais e quantos seriam os convidados para o ensejo, e em como se poderia atrair o público leitor, já que os caminhos do sucesso são, frequentemente, obscuros e antidemocráticos...
Ornava o ambiente o verde das árvores; os pássaros canoros exibiam-se libertos com seus pousos perscrutadores, à cata de alimento, revelando uma natureza em homeostasia.  Nessa aura de paz, não se podia imaginar que o ambiente poderia ofertar semelhante insídia: uma Lonomia oblíqua, ou simplesmente taturana, também, conhecida como lagarta-de-fogo, escolhera uma vítima humana antes de transformar-se em mariposa e atrair-se pela luz (em borboleta, talvez); sequer teve seu habitat invadido ou ameaçado por essa vítima que, indefesa e inerme, compunha o grupo de amigos na discussão de assuntos da mais alta relevância, considerando que “a arte imita a natureza”, como preconizava Aristóteles – ou seria o contrário? -. O que teria incitado a esse ser de tão inofensiva aparência e de destino que simboliza a liberdade, deixar o verde próximo da grama, as árvores frutíferas e ousar-se na aridez do cimento?
Uma lancinante dor invadiu e subtraiu o tino da vítima; esqueceu sua robustez adulta e resgatou sua porção criança num choro copioso e desesperado. Embora tentasse ajudar, o grupo não sabia por onde começar, sobremodo, em virtude de desconhecer o algoz, até descobrir a taturana refestelada embaixo da mesa, o que não demorou. Um acudia com álcool, outro com água açucarada – quem sabe não seria uma crise de nervoso súbita (?); o esposo da vítima, num rasgo de intuição, usou, mais que depressa, compressa de gelo a fim de anestesiar a parte atingida do pé e o dedo mínimo da mão, o que resultou em alívio das atrozes queimações provocadas pelo contato com seus espinhos.  
Superada a dor, brincara a vítima com o incidente. Horas mais tarde, resolveu pesquisar as possíveis conseqüências desse ataque, na internet. Quando verificado que em todos os sites se falava em coagulação sanguínea com potencialidade de óbito, ficou a refletir sobre a fragilidade da sua vida, na sua (in)significância e sentido; em quantos dos seus planos poderiam ser sepultados se acometida por uma fatalidade. Pensara, outrossim: “a vida é frágil, mas de todas as mortes que poderia ter, nessa não haveria nenhum glamour – desdenhou: morrer por causa de uma taturana?!.
 Por fim, enxergou que Deus oportuniza que de cada “taturana” ecloda uma borboleta para exaltar o colorido das primaveras. De muitas espécies, porém, eclode uma “mariposa”. Quanto aos seres humanos, alguns preferem mesmo estacionarem na fase da “taturana”. Em relação às mulheres, ser “borboleta” ou “mariposa” é uma questão de escolha!
 Simone Moura e Mendes

domingo, 8 de janeiro de 2012

QUERO SER POETA


Quero ser poeta...
viver no ostracismo
mergulhar em desvarios
satisfazer os meus desejos
resgatar os meus anseios
acalentar sonhos pueris

E nem quero ser notada
quem enxerga o pensamento?

Não, não  importa o que pensem...
se sou pura ou indecente
quero estar reclusa ao meu mundo interior
quero ser uma flor
desabrochar sob os sublimes raios de sol

Quem me dera estar sozinha...
no meio de um vasto oceano
marejando num singelo barquinho sem rumo
só ouvir a voz do pensamento

Quiçá numa floresta...
onde apenas os animais fazem festa
é onde quero estar

E se minhas pernas não me levarem...
através da imaginação
posso estar em qualquer lugar
seja no mar ou na floresta
serei livre para pensar

Quero ser poeta...

Simone Moura e Mendes
(Poesia do livro Incógnita)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sabiam dizer "naice tumitiu"

“Greve dos bombeiros impede pousos e aterrissagens no aeroporto de Maceió”. Notícia bombástica para quem passara meses programando assistir à formatura da filha em outro país. Seria isso um mau presságio? Os radares do marido estavam atentos a qualquer sinalização dos seus anjos de guarda. “Seja o que Deus quiser!” – foi a manifestação resignada da esposa.  Aeroporto liberado, primeiro obstáculo superado.
O casal partiu como se estivesse a enfrentar uma corrida de obstáculos, onde o segundo, e mais grave, a depender do porvir, seria a pouca intimidade com o inglês. Munidos de um livrinho que ensina que “nice to meet you” se fala “naice tumitiu”, marido e mulher sublimaram o medo, premidos pelo desejo de abraçarem a filha, que sabiam ansiosa para tê-los presentes quando atirasse o quepe ao alto – como nos filmes.
Superaram o trejeito carrasco de um descendente de coreano na imigração, apresentando-lhe um documento onde dizia da graduação de sua “daughter”: “oh congratulation, guys!!”. Na verdade, nada deveriam temer a exceção da cuscuzeira e dos pacotes de fubá de milho que carregavam na mala, pois o livrinho não lhe ensinaria como traduzir para o inglês. Mala? Que mala?! Extraviara numa das conexões. Aliás, é o que dá montar pacotes a preços módicos na internet! Quatro dias virando o lado das peças íntimas ou comprá-las na primeira oportunidade.
É força abrir um parêntese para destacar que a filha introduzira o “brigadeiro” na pequena cidade de hum mil habitantes, ao norte dos Estados Unidos – subtraindo muitos “oh my God!” -, e pedira aos pais que a propiciassem inserir o cuscuz na culinária americana. Valia à pena correr riscos em obséquio a mais essa satisfação daquela brava garota, que, por sua vez, seguiu a receita da mãe na elaboração da iguaria, esquecendo-se, contudo, de que o fubá de milho se transforma em cuscuz com a fervura da água posta na parte inferior da cuscuzeira. Resultado: massa crua e panela queimada.
Voltando à corrida de obstáculos.
 Área do check-in doméstico do aeroporto de Los Angeles. Os dois acordaram de um cochilo nas cadeiras, ao som dos aspiradores sugando o pó dos impecáveis carpetes, e acordaram com o burburinho de uma fila a perder de vista, de pessoas de nacionalidades várias, a revelar a incomensurável criatividade de Deus pelas infinitas fôrmas de modelar. Embora chegassem primeiro, estavam distante do início da fila – os primeiros seriam os últimos. Que fila, afinal? Mostravam o ticket a um, a fila era uma; mostravam a outra, a fila era a de outra companhia. Unidet ou Continental, quem diria o certo? Na descompostura do desespero, o marido suplicou: “please, help me! I don’t speak english”! Foi esse o passaporte para Denver, local da próxima conexão, de onde voaram num minúsculo avião - que, por sinal, o encheram de orgulho, porquanto era da Embraer -, até chegar em Des Moines. Ufa!
Comprovante apresentado no balcão da Alamo Rent a Car, o resto parecia ser fácil – mas, por que fornecer o cartão de crédito se as despesas foram pagas no Brasil? “Sorry, i don’t speak english!” Com um sorriso cordial, a resposta foi imediata: “oh, i’m sorry, i don’t speak portuguese!”. Todavia, a entrega do cartão foi feita e o contrato de aluguel restou devidamente assinado, sem receio de estarem sendo ludibriados, afinal, estavam nos Estados Unidos, onde ser honesto é obrigação, e não exceção.
Incrédulos, à custa do GPS, avistaram a placa “Welcome to Sheffield”. A alegria transbordou no abraço trocado com a filha. “Quem tem boca (?) vai e volta de Sheffield”.

Simone Moura e Mendes

sábado, 31 de dezembro de 2011

Reais ou virtuais as previsões da Vovó?


Por óbvias razões, agradece a Deus ter nascido numa época anterior à explosão da informática. Uma delas, e, talvez, a mais expressiva, é que não estaria a degustar das lembranças das cartinhas semanais com a avó materna, a partir de quando deixara sua terra natal – aos sete anos de idade. Essa experiência foi como um êmbolo, empurrando-lhe ao universo onírico das letras - aliás, a avó já vaticinara que ela seria uma escritora.
Era uma criança comum, visto que prezava jogar queimado, rouba-bandeira, polícia e ladrão, sete pecados, com os amigos daquela rua de barro - superdimensionada, na sua visão pueril; aquela que terminava no lendário “muro azul” – chegar até ele na possante bicicleta Monark, após tantas idealizações, fora-lhe uma prova de superação: era como se, a partir dali, pudesse chegar onde quisesse. Ela não abdicava das peraltices de subir em árvores, muros e telhados. A despeito de preferir as tais brincadeiras, mais consentâneas com seu espírito irrequieto e arteiro, também, exercitava a face mãe com suas bonecas: ninava-lhes, fazia-lhes roupinhas; furava-lhes a boca e cortava-lhes a genitália para assistir ao expelir do chazinho que lhe administrava ao supor-lhes sentir cólicas - como podia, sabia imprimir tons de realismo ao seu mundo lúdico.
Sua experiência como cronista da rua findara em quase catástrofe. Utilizava sua máquina Hermes para registrar os fatos que via ou corriam à boca miúda, entre esses figurava o da decrépita reputação da mocinha da esquina. Sua incúria, porém, quase lhe rendera uma sova da tal mocinha, eis que jogara os originais escritos à mão no lixo e uma vizinha, então desafeto, encontrou-os. Vertera, pois, tudo que sabia, mediante as provas materiais, inclusive, no ouvido da indigitada personagem. Todavia, guarda essa quase tragédia como lição: “fofocas”,comentários maledicentes foram riscados de sua conduta, sob a tese de que somente valeria a pena ser dito aquilo que trouxesse um fim útil, altruísta, à sociedade. Mas é claro que daquilo que não denigra a moral alheia, pode render uma piada, uma galhofinha inocente - o que seria da vida sem algo que produza boas risadas?
Além dessas peculiaridades comuns às crianças, ler era-lhe uma grande aventura. A irmã mais nova de sua mãe, sempre que surgia um feriado prolongado, estava em sua casa, no bairro do Pina. Eram sempre dias de muita alegria, pelo contato com aquele ente familiar querido e pelos passeios que costumavam fazer. Nesses passeios, que contemplavam restaurantes e barzinhos, ela, recém egressa da infância, estava a portar seu inseparável companheiro, o livro. Não fora alcunhada de “intelectual de axila”,pois que o lia de verdade, quando os assuntos dos adultos lhe enfastiavam, mas de“intelectual ambulante”, pela tia amada que, até hoje, não perde a piada.
Diferentemente da juventude hodierna, que, quando muito, recorre aos resumos das obras que lhe serão cobradas nas tarefas escolares, encontrados na internet, ela lera grande parte dos livros da Coleção Vaga-lume – como olvidar “A Ilha Perdida”, de Maria José Dupré -; deleitava-se com o Pequeno Príncipe e com Polyana – a menina e a moça -, com O Menino do Dedo Verde; com José de Alencar, Graciliano Ramos, com as obras machadianas... Lembra que, em resposta à pergunta da professora de Português, na sala do 1º ano ginasial, (de acordo com a nomenclatura da época) aos dez anos: “quem ali já havia lido um livro inteiro?”. Ela respondera haver lido “O Profeta”, ciente, porém, de que nada havia entendido da mensagem de Kalhil Gibran - mas que lera, lera. “Oh!”, reagira a mestra.
Vê a internet como uma ferramenta a serviço do mal, para os que se alienam com os “nauns”, do “intertês”;contudo, facilitadora, um cosmo de oportunidades, para os que, por exemplo, por meio de seus tablets, mergulham nos E-boks.
Ela, a“intelectual ambulante”, por sua vez, ainda resiste em acreditar no vaticínio de sua avó. Não se fez escritora de profissão, mas como uma mera diletante, que respira um incentivo aqui, outro ali, num esforço diuturno de fazer reais as previsões de sua avó. É fato inconteste que sua última publicação está inserta em “Os Cronistas Internautas”, editado pela Editora Bagaço, organizado por Luiz Otávio Cavalcanti: alguém que, com a experiência do passado, projetou-se no presente ululante, unindo o virtual ao real. Aliás, eles, Luiz Otávio e Luiz Berto, não são Luízes quaisquer. São escultores, incentivadores das letras, reais e virtuais. São luzes, na verdade.
Reais ou virtuais as previsões da Vovó?

Simone Moura e Mendes

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Lauta alegria de reencontro

Era Natal...
a família reassomara em torno da mesa
como nos tempos dantes
jamais olvidados aqueles tempos
guardados vivos na memória

Antigas diferenças a festa sepultara
mesmo que por aqueles poucos instantes
triunfara o reino da alegria
do sangue reencontrado na magia daquele Dia

Fartaram-se uns de peru e rabanada
para outros o efeito etílico do desejo era a primazia
e nenhuma sobriedade que pudesse ser decantada
modos moderados a cargo do Anfitrião Aniversariante
em pronta prontidão a proteger os seus discípulos

Fotografias, histórias comuns revividas
novas vidas inauguradas
velhas músicas nas vozes desafinadas
piadas reinterpretadas... risadas desinibidas
reaflorada a infância dormitante...
suspiros!

Ali não estavam todos – é verdade!
uns foram festejar na família do consorte
outros ascenderam aos braços do Aniversariante
mas a instituição era bem representada, decerto

No teto o declínio da lua anunciava a hora da saudade
algo ainda ficara por dizer - sempre fica, aliás
algumas horas foram nada mais que parcos instantes
para o viver daquela lauta alegria de reencontro

Simone Moura e Mendes

sábado, 24 de dezembro de 2011

Veja como se operou o Espírito do Natal

Os servidores da Vara do Trabalho de Penedo, capitaneados pelo Juiz Titular, Dr. Sérgio Roberto de Mello Queiroz, num exercício de dever Cristão, encerraram o ano distribuindo presentes e carinho às meninas acolhidas pelo Lar de Nazaré. 
O magistrado Sérgio Queiroz, sua esposa e filhos, distribuíram, além de presentes diversos, de acordo com a prévia escolha das próprias internas, quites de material escolar. No momento da entrega, Dr. Sérgio fez questão de enfatizar que no estudar reside a esperança delas vencerem as adversidades sociais. A uma delas, a que acalenta o sonho de ser médica, presenteou com dois livros, conforme desejo por ela manifestado.
Todos os servidores daquela Unidade Jurisdicional envolveram amigos e advogados trabalhistas a fim de que nenhuma das 23 meninas deixasse de esboçar um sorriso.
Na mesma oportunidade, houve a entrega à coordenadora Solange de produtos de limpeza e inúmeros itens de higiene pessoal. Tudo adquirido por meio de doação de amigos, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Penedo e da ação do Projeto Justiça à Poesia em parceria com o TRT Solidário.
A intenção dessa equipe é permanecer com esse trabalho, pelo que conclama aos amigos e à sociedade a continuarem colaborando, eis que a instituição Lar de Nazaré sobrevive meramente de doação. No ensejo, lembra que quem desejar contribuir é só procurar a Secretaria Geral da Presidência, localizada na Av. da Paz, 2076, 8º andar, Centro, Maceió/AL, quando, então, adquirirá a antologia poética Justiça à Poesia, do TRT da 19ª Região.
Se você preferir, poderá ser sócio do Lar de Nazaré e depositar mensalmente a quantia de R$10,00 na conta corrente nº 15.374-5, ag. 0049-3, do Banco do Brasil S/A (Escola Profissionalizante Lar de Nazaré - CNPJ nº 12.543.344/0001-26). Essa quantia corresponde à assinatura da revista O Mensageiro e, caso queira recebê-la, entre em contato com a instituição (82-3551-5207/8818-7663).


Estes sorrisos são o presente de Natal da Tia Solange

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O agora é já

No inconstante das emoções
sábio é quem não hesita
vive e sabe fazer a hora
não suplica outra sorte
não se traga pelas horas
faz a vida arrepiar a morte


O agora é agora
esvai-se sem demora
é o já que não se estanca
o que há de veraz
um instante loquaz
O futuro é pálido
o passado só jaz
o presente é impávido
tempo único que se abstrai


Não te percas, pois, no ontem
não te aflijas com o porvir
vive o pulsante durante
vê que a vida é como uma onda
que se faz no devenir
Simone Moura e Mendes

sábado, 17 de dezembro de 2011

Um precoce escritor

Na noite de ontem, no Colégio Patinho Feio, o prodígio alagoano de, apenas, 8 anos de idade, Artur Alencar Galvão, alagoano, lançou seu primeiro livro: VEN, O MAGO. A obra, ilustrada com desenhos do próprio autor, revela o talento de um menino que já nasceu pronto para uma frutuosa escalada literária, por sua grande capacidade imaginativa.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Os 40 anos da Vara de Penedo com "Justiça à Poesia"















Fotos de Max Balduíno


Em 02/12/2011,  Penedo esteve em festa. A solenidade de comemoração dos 40 anos de instalação da Vara do Trabalho marcara indelevelmente a histórica daquele precioso rincão margeado pelo "Velho Chico". O magistrado titular Sérgio Roberto de Mello Queiroz capitaneou o eventou com brilho e pompas. No ensejo, formalizou-se, inclusive, o encerramento da Semana Nacional de Conciliação.

A festa foi iniciada com o hasteamento das bandeiras pelo Juiz Sérgio Roberto de Mello Queiroz, acompanhado da Desembargadora-Presidente, Vanda Lustosa, do Dr. Fernando Falcão, Presidente da AMATRA19, e do Presidente da OAB, seccional Penedo, José Machado, que, também, representava o Prefeito Israel Saldanha.

Várias personalidades locais emprestaram glamour ao evento, dentre estas o Presidente da Academia Penedense de Letras, Valfredo Messias, e vários advogados, tanto locais como os que atuam em Maceió, a exemplo do Dr. Marcelo Vieira.

A banda do Montepio dos Artista, sob a batuta do maestro Rocha, executou o Hino Nacional e o de Penedo. Seguiram-se os dicursos do Dr. Sérgio Queiroz, que assim asseverara: “Há quarenta anos a Justiça do Trabalho se instalava no município de Penedo, anunciando a chegada de novos tempos nessa terra marcada na história por tantas glórias. Essa cidade é mãe de personalidade expressivas, berço cultural do Brasil e, como se não fossem suficientes esses predicados, distinguida por beleza ímpar purificada pelas águas do velho chico”; e da Desembargadora-Presidente do TRT19, Dra. Vanda Lustosa que destacara a importância da Justiça do Trabalho na sociedade penedense.

Na oportunidade, foram homenageados com uma placa de honra ao mérito o magistrado Osanir de Lavor e o Desembargador Severino Rodrigues, este, como o primeiro diretor e, aquele, como primeiro juiz a presidir aquela, então, Junta de Conciliação e Julgamento. Tais personalidades foram representadas pelo Presidente da AMATRA19, Dr. Fernando Falcão e pela Juíza Titular da 3ª Vara do Trabalho de Maceió, Dra. Alda de Barros Araújo, respectivamente.

O magistrado Fernando Falcão fez a leitura da mensagem encaminhada pela juíza Carolina Bertrand (titular da VT de Palmeira dos Índios), discorrendo sobre o Projeto Trabalho, Justiça e Cidadania, criado pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho. Este projeto fez-se partícipe através de apresentações de alunos das Escolas Municipais de Arapiraca, João Batista Pereira da Silva e Pontes de Miranda. A desembargadora Vanda Lustosa e o juiz Fernando Falcão entregaram a certificação do "Trabalho, Justiça e Cidadania" às professoras Gláucia Albuquerque e Maria de Lourdes Félix, das Escolas João Batista e Pontes de Miranda, respectivamente.

O Projeto "Justiça à Poesia" migrou da Capital Maceió, através das servidoras Ana Cláudia Costa Fortes Cavalcanti, Delaide Scolni e Marta Angélica Martins, para colorir aquela solenidade. Apresentou sua 13ª edição, que contou com a participação da própria Marta Angélica, declamadora oficial, e do ator Chico de Assis, além de uma apresentação musical do servidor Marcos Farias, tendo sido este liberado de seus misteres pelo juiz titular de Porto Calvo, Dr. Laerte Neves, além de Alberto Mirindiba, acompanhados dos músicos Ricardo Lopes e Fabinho Oliveira. Houve, ainda, a declamação espontânea pelo  maestro Rocha, de uma poesia de sua autoria. Também houve a apresentação do Coral da Escola Profissional Lar de Nazaré - instituição localizada na cidade de Penedo, que é  mantida por doações e,  no momento,  atende 22 meninas em situação de risco social. As meninas do coral fizeram uma tocante homenagem ao Juiz Sérgio Roberto, que não pode conter emocionadas lágrimas.

Ainda, dentro do Projeto Justiça à Poesia, foi relançada, a 2ª edição da coletânea poética do TRT19, "Justiça à Poesia", graças ao fabuloso empenho do Milton da gráfica, cujos exemplares foram trocados por doações ao Lar de Nazaré, naquela oportunidade, entregues, simbolicamente, pelo Juiz Sérgio Queiroz, em nome do TRT Solidário, à Coordenadora da instituição Solange. Registre-se a substanciosa doação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais àquela instituição, a quem muito projeto agradece.

A diretora da Secretaria da VT de Penedo, Simone Moura e Mendes, em nome do Projeto "Justiça à Poesia, fez a entrega ao juiz Fernando Falcão de um exemplar do livro "Antologia Poética Justiça à Poesia", em reconhecimento ao apoio da Amatra XIX para a publicação da obra. O magistradopor sinal, é autor de três poesias que fazem parte da coletânea.

O Juis Titular, Sérgio Roberto de Melo Queiroz, e a Diretora de Secretaria da Vara do Trabalho dePenedo, Simone Moura e Mendes, creditam o indiscutível sucesso do evento ao inestimável empenho dos servidores da Secretaria Geral da Presidência do TRT19,aquem veementemente agradece na pessoa de sua Diretora, Vanessa Gonçalves.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Meirinho Poeta

Fiel escudeiro do magistrado daquele bucólico rincão banhado pelo “Velho Chico”. Por sua grande compleição, de meirinho não queria ser chamado. Oficial de justiça seria mais apropriado, mais consentâneo com o seu porte de homenzarrão investido da simbólica espada da justiça preparada para ser desembainhada, não lhe quisessem dar atenção.

 “Como é que é, meu algoz grandão, você pretende mesmo minhas terras penhorar?” Com a voz temendo fugidia, retrucara: “ não sou eu quem o quer, meu camarada, só estou aqui, sob o império da lei, para cumprir uma ordem judicial; vossa senhoria vai até a Vara e comprova o pagamento da execução e de suas terras volta a fruir, deixando a condição de executado”. “Afinal, meu algoz, esse juiz usa toga ou abadá?”. Oficial de Justiça ou meirinho, nem a cabeça deveria menear, a fim de não dar margem a falsas interpretações; optara, então, por concordar com desconjuntadas acusações, em virtude de lograr suas poesias continuar a recitar.

Num outro longínquo rincão de sua jurisdição, em que nele somente chegara à custa de perguntar “onde fica” ali e acolá, pois que nenhuma placa lhe havia a indicar. Um município que não chamaria sequer de povoado, pois nele havia uma única rua de barro terminada numa praça rodeada pela igreja, delegacia, prefeitura, mercearia e funerária. Ali, sentado num resto de banco, à sombra de uma amendoeira, arriava-se um homem barbado com a camisa fechada apenas por um botão, decerto para não aprisionar sua grande pança. Relaxava com um palito de dente na boca, que lhe extraía os resíduos incômodos da carne de bode servida na refeição. “Boa tarde, senhor! Gostaria de encontrar o prefeito da cidade”. “Se o procura com boas propostas políticas, é esse quem vos fala; caso contrário pode dar o fora, pois estou do almoço a descansar”. “Sou oficial de justiça”, impávido respondera. “Ah, desculpe-me o mau jeito. É só atravessar a rua, entrar naquele prédio azul, e citar o procurador”.         

Não, não convinha, contudo, saberem os citados que, a despeito de navegar seu veículo por distantes caminhos hostis e lugares inóspitos, a fim de cumprir sua temerária missão, transita com poesias a dormitarem em seu coração; que na verdade, não dispunha de couraça, capacete ou adarga. Mas tão-somente de versos e rimas prontos para formar estrofes, ao longo de seu regresso pela trilha do mar, que serão debulhadas aos colegas de instituição - os servidores burocráticos, protegidos pelos birôs, na oportunidade em que a conta dos mandados cumpridos fosse prestar. Senão versos a recitar, jocosas histórias ele traria na cartola, recolhidas de suas idas e vindas, de porta em porta, de porteira em porteira, com uma diligência à mão, quase sempre trocada por ameaças, impropérios, ou, no mínimo, um olhar de insatisfação.

Simone Moura e Mendes

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Lançamento na Fliporto 2011

 Luiz Berto, Marcos Mairton, Luiz Otávio Cavalcanti, Geraldo Pereira, Maurício Melo e Simone Moura e Mendes 
 Marcos Mairton, Simone Moura e Mendes, Geraldo Pereira e Maurício Melo 
 Sandra Magalhães Salgado, Marcos Mairton, Luiz Otávio Cavalcanti, Geraldo Pereira, Maurício Melo e Simone Moura e Mendes
Marcos Mairton, Luiz Otávio Calcante e Simone Moura e Mendes

Marcos Mairton, Luiz Berto e Simone Moura e Mendes (no estande da Ed. Bagaço)

Dia 12/11/2011, às 19 h, Na Fliporto 2011, em Olinda/PE, foi lançada, pela Editora Bagaço, "Cronistas Internautas - uma coletânea de crônicas organizada por Luiz Otávio Cavalcanti, colunista do JBF. No universo dos 14 cronistas de diferenciadas localidades do Brasil, figura a alagoana Simone Moura e Mendes, com a crônica "Imagem e Ação nos EUA", que esteve presente na ocasião na companhia de seu esposo Cláudio. Igualmente, marcaram presença os cronistas Marcos Mairton, Maurício Melo, Geraldo Pereira e o próprio Luiz Otávio. O evento contou com o prestígio de Luiz Berto e sua esposa Aline, além de Sandra Magalhães Salgado, sua filha Rafaela e a irmã Suzana.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

“Movido a álcool só o motorista”

Existem mesmo pessoas de má sorte? Ou que estejam determinadas ao fracasso? Caso cada criatura seja artífice de seu destino, como muitos acreditam, ele está a traçar o seu sem régua nem compasso. Talvez seja mesmo verdade que muitas vezes não aja de acordo com a prudência, como, por exemplo, quando abusa da bebida e aventura-se na direção. Aliás, seu estado de elevado teor etílico é logo denunciado aos amigos, quando seus olhos saltam do globo ocular, o que lhe rendera a alcunha de “Sapão”.
Certo dia, subiu na garupa da moto de um amigo a fim de tomar umas cervejas e conversar amenidades num dos aprazíveis bares da Massagueira. Comer siri de coral e sururu às margens da Lagoa do Mundaú, após cocada de leite condensado e, também, de maracujá, a título de sobremesa. Isso não era lá um programa que costumasse jogar fora, máxime naquele delicioso sábado, em seu primeiro dia de férias.
Uma cerveja, uma piada, uma galhofa, um causo... As horas correram a galope, delatadas pelo declínio do sol e a aparição tímida da lua. Ele, um pouco menos ébrio que o amigo, não dispunha de prática em pilotar moto. Entretanto, pelo modo em que o companheiro se erguera do banquinho não conviria arriscar-se à tutela de sua direção.
Conseguiram passar ilesos pela ponte da Massagueira. Contudo, até chegarem à Ponte Divaldo Suruagy, foram contabilizadas seis quedas mato adentro, sem conseqüências, exceto uns minúsculos arranhões, afinal, a velocidade não ultrapassava 20 km. A cada tombo, quando quase refeitos do surto de risos “pastosos” e algumas (des)considerações, resolviam revezar-se na condução da moto. Chegaram ao destino, enfim. Sorte: boa ou má?
Pudesse ele estar tomando algumas cervejas, mas em sonho. Seu veículo, ou “transporte”, como costumava, desditosamente, denominá-lo, repousava na calçada de casa, depois de um dia de grandes deslocamentos a serviço das atividades profissionais. Um motorista, desrespeitoso quanto à abstinência etílica cautelar dos dias úteis, precipitou-se sobre o “transporte”, infringindo-lhe o famoso “PT” – perda total. Não estava segurado, então “PT saudações”.
Com o propósito de que pudesse dar consecução aos seus misteres, foi agraciado pelo empréstimo do veículo de lazer de um amigo, que dele se apiedou quando viu a quantidade de carnês e promissórias entulhadas em cima da mesa, numa visita de cortesia. Chuvas torrenciais na cidade de Maceió, quando o carro emprestado dormitava no mesmo local de costume. Uma impiedosa rajada de vento arrancou a árvore pela raiz, sob a qual estava o veículo, que não pôde encontrar o chão porque este a impediu. Partido ao meio, foi alvo de reportagem televisiva, assistida “ao vivo e a cores” pelo amigo misericordioso – o dono do carro.
Detalhe: nenhum dos dois veículos acidentados eram movidos a álcool.
Simone Moura e Mendes

sábado, 5 de novembro de 2011

Tosquiador da desesperança

Poderia ter sido enredo de “Vidas Secas”, se contemporâneo de Graciliano Ramos fosse. Mas sua vida não foi registrada por nenhum biógrafo, não servira de inspiração para nenhum romancista. Cada linha está escrita na tela de sua mente. Na medida em que vai sendo recontada, num qualquer repente, suscita ouvintes boquiabertos ao deparar-se com a superação encarnada num homem altivo, sábio, ponderado, forjado para o improviso. Um coração generoso costurado com pele de jacaré, o de um nordestino genuíno.
Conta que, pouco a pouco, seus irmãos iam sendo dizimados pelas mazelas, até hoje, campeadas no sertão cearense, onde rico era quem dispunha de um jegue. A seleção natural urdida pela miséria poupou apenas sete de uma dúzia dos filhos de seus destemidos pais, cuja única fortuna era a inquebrantável fé. Quando um adoecia, normalmente, açoitado pela disenteria, seus resignados genitores já o recomendavam a Deus. “Venha, meu filho, vamos cortar tábuas para o caixão de seu irmãozinho, que, pelo estado de abatimento, de amanhã não passa”. Chorar não deveria para não desperdiçar água, pois cada lágrima o corpo cobraria. Aliás, ainda que tentasse infringir essa regra de sobrevivência, antes que a lágrima se precipitasse o sol causticante a secaria.
Desse irmão a morte desistiu, porque a vida lhe requisitou para pastoreio de muitas ovelhas. Com a família reunida em assembleia, uma decisão foi tomada: deixaria aquelas plagas de solo sulcado, de terra desidratada, onde desfrutava de dignidade humana aquele que conseguisse respirar. Com as tábuas cortadas para o caixão, confeccionou uma mala. Os pertences da casa foram nela acondicionados e os “andrajos” das nove pessoas da família, em dois sacos de açúcar. Num velho jipe, que fazia o serviço de transporte de retirantes, em condições pior do que “pau de arara”, seguiu comendo poeira por longas horas. Entrou na estatística do êxodo rural. Chegar a Fortaleza foi a conquista da “terra prometida”. Romperia os grilhões da fome, salvaria a prole da ignorância.
Nessa capital, que estômago cheio prometia, seu pai foi servil à construção civil. Na casa de taipa e chão batido, em um distante subúrbio, hauria-se a atmosfera de um lar. Com os trocos de cada feira, ia substituindo parede por parede por alvenaria: um tijolo unido a outro, unidos com a argamassa do amor, preparada com o suor de cada dia.
A vida foi dando indícios de melhora. Ele, por sua vez, aos sete anos conhecera escova de dente, de que não mais prescindiu para cumprir as regras básicas de higiene. Quanto a seus pais, que sequer sabiam acompanhar o tracejado das letras na cartilha, sempre sonhavam com os filhos doutores.
Somente aos nove, ele foi alfabetizado. Fez teologia e entregou-se, também, à missão de pastorear ovelhas e tosquiar qualquer desesperança. Bacharelou-se em Direito e prestou concurso de nível superior. Por muito pouco não galgou a magistratura em outro concurso prestado. Por enquanto, busca ser pastor das ovelhas perdidas às margens do “Velho Chico”.
Simone Moura e Mendes

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Projeto Justiça à Poesia na V Bienal Internacional do Livro

Pedro Onofre de Araújo contextualizou sua palestra acerca do Projeto Justiça à Poesia com poesias de suas "Poesias Completas", conferindo majestade ao evento
Luiz Alberto Machado levou a magia do Tataritaritatá


A poestisa Petrúcia Camelo, em sintonia com o Projeto Justiça à Poesia, puxou uma poesia do varal e declamou Noel dos Santos

Simone Moura e Mendes declamando seus versos, ineridos na obra "Justiça à Poesia"

Cléa Seixas, Pedro Onofre, Simone Mura e Mendes, Marta Angélica e André Luiz Ferreira

Petrúcia Camelo, Marta Angélica, Simone Moura e Mendes. Arnaldo Camelo e Celina Bravo no estande da Academia de Letras do Estado de Alagoas, onde foi lançada a 2ª ed. do Justiça à Poesia
Marta Angélica Martins, Simone Moura e Mendes, Maria Pastora e Petrúcia Camelo ao lado Príncipe dos Poetas de Maceió, o inolvidável Jucá Santos.




Mediante o apoio das Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro e a Confraria Princesa Isabel, a poetisa Petrúcia Camelo abre espaço para o Projeto Justiça à Poesia V Bienal Internacional do Livro de Alagoas.

A pedra de toque do evento ocorrido no dia 30/10/2011, às 16 h, na Sala Lêdo Ivo, do Centro de Convenções, foi a palestra do escritor, poeta e teatrólogo Pedro Onofre de Araújo, que, na presença de sua esposa, filhos e netos, integrando a composição de uma seleta plateia, deslindara o Projeto Justiça à Poesia com sensibilidade poética, com precisão cirúrgica. No ensejo, proclamara o brilho da iniciativa da equipe organizadora do Projeto Justiça à Poesia, que, saindo do seio da 3ª Vara do Trabalho de Maceió, ganhara dimensão institucional. Em suas eminentes palavras, Pedro Onofre assevera, em síntese apertada, que todo magistrado é um poeta em potencial, pois quem logra fazer justiça não pode apartar-se da poesia.

Após a palestra de Pedro Onofre, Simone Moura e Mendes tomara do microfone e leu uma crônica acerca do projeto, de própria autoria. No contexto dessa crônica, a declamadora oficial do Projeto, Marta Angélica Martins, declamou Ah! Poeta, da autoria de Simone, e a bela poesia de Sandra Magalhães Salgado, "Justiça à poesia, a sentença de Têmis".

O convite de Simone fora aceito e outras declamações deram lustre ao ensejo, a exemplo das realizadas pelos poetas Petrúcia Camelo, André Luiz Ferreira, que declamou uma poesia de Beto Souza - ganhador do Prêmio Lego de Literartura 2011 -, Cléa Seixas e pelo próprio Pedro Onofre. Luiz Alberto Machado disse de seu apreço ao "Justiça à Poesia"; Chico de Assis não de fez de rogado e declamou Passagem, de Lêdo Ivo, "2 de Fevereiro", de Emanoel Fay, "Nêga Fulô" e algumas outra poesias de Jorge de Lima, além de obras de outros poetas. O poeta Joel Machado, na companhia de sua esposa Dinha, compartilhou da emoção do momento.

Às 19 h, no estande da Academia de Letras do Estado de Alagoas, diante dos olhos atentos de insignes espectadores, dentre estes, Paulo de Tarso Santana e sua esposa Aline; do calculista da Vara do Trabalho de Penedo, Valdênio Santos Costa, acompanhado da esposa e filhos..., Em ocasião solene, conjuntamente com outros lançamentos, foi a vez da 2ª edição do livro "Justiça à Poesia", uma antologia poética composta por advogados trabalhistas, servidores e magistrados do TRT19, dentre estes a Presidente do TRT19, Desembargadora Vanda Maria Ferreira Lustosa, a Juíza Titular da 3ª VT de Maceió e o Presidente da AMATRA19, Dr. Fernando Falcão, por cujo apoio esse sonho foi concretizado.

O Projeto Justiça à Poesia agradece a todos que, direta ou indiretamente, vem contribuindo para a sua prosperidade.

Alfim, foram estas as palavras da poeta Petrúcia Camelo: "Querida Simone, eu, sou quem agradeço pela oportunidade de estarmos juntas em prol da poesia alagoana. Segue para você tomar conhecimento do e-mail da Diretora da EDUFAL Sheila Maluf, agradecendo a minha iniciativa em levar as Academias de Letras à Bienal do Livro, pela primeira vez. Parabéns pela glória de sua luta.Abraços."